Cerca de 14 por cento dos jovens com idades entre 18 e 24 anos estão desempregados em Santa Catarina, de acordo com dados do IBGE. E um dos motivos apontados por especialistas que levam o estado a registrar números negativos pode ser a qualidade do Ensino Básico regular oferecido nas salas de aula.
A falta de conhecimentos básicos em matemática, português, ciências e tecnologias, por exemplo, prejudica o jovem quando ele passa a buscar emprego no mercado de trabalho.
Por isso, é fundamental que a Educação Básica regular seja reformulada no sentido de preparar o estudante para o mercado de trabalho, com atividades ligadas ao ensino técnico profissional, como recomenda o Gerente de Educação do SENAI, de Santa Catarina, Fernando Pitt.
“Eu acho que hoje, no Brasil, a gente precisaria repensar a forma de estar educando o nosso jovem. Passando necessariamente por uma educação profissional, porque é a qual vai qualificar esse jovem para o mercado de trabalho.”
Ainda de acordo com dados do IBGE, quase sete milhões de pessoas, entre 18 e 24 anos, não trabalham e nem estudam no país. Além disso, cerca de 40 por cento das empresas têm dificuldades para encontrar profissionais aptos a preencher vagas técnicas por causa da falta de qualificação dos trabalhadores, de acordo com pesquisa publicada pela Fundação Dom Cabral, em 2016.
O especialista em Aprendizagem e Mudança nas Organizações, da Universidade de Brasília (UnB), Jairo Eduardo Andrade, acredita que, entre outras coisas, a Educação Básica deveria preparar o estudante de forma que ele pudesse acompanhar as inovações profissionais sem ficar desatualizado, como é comum nos cursos técnicos profissionais.
“O que nós estamos chamando aqui de boa educação, é tornar o indivíduo capaz de aprender novas coisas. Não é só tornar o indivíduo capaz de fazer as coisas que precisam ser feitas agora no mercado trabalho, porque se a gente vai por aí, rapidamente o sujeito vai ficar defasado.”
O trabalhador que conclui sua formação em cursos técnicos profissionais pode ter salário até 20 por cento maior, em comparação aos estudantes formandos da educação regular tradicional. O dado é de pesquisa PUC-Rio.
Com a colaboração de Cristiano Carlos, reportagem, Pedro Marra