Quase 44 e meio por cento dos jovens, entre 14 e 24 anos, estão desempregados em Mato Grosso, de acordo com dados do IBGE. E um dos motivos apontados por especialistas que levam o estado a registrar números negativos podem ser a qualidade do Ensino Básico regular oferecido nas salas de aula.
De acordo o setor da indústria, um a cada três jovens não está avançando na escolaridade e na qualificação profissional, dificultando a inserção e a permanência dele no mercado de trabalho, como explica o Gerente de Educação e Cultura do SENAI, no Mato Grosso, Rubens Oliveira.
“A baixa escolaridade, essa baixa preparação contribui sim para que o jovem tenha mais dificuldade de acessar o mercado de trabalho e até concluir seu estudo seja no Ensino Técnico ou ensino superior.”
De acordo com pesquisa publicada pela Fundação Dom Cabral, em 2016, 40 por cento das empresas têm dificuldades para encontrar profissionais aptos a preencher vagas técnicas. O problema é a falta de qualificação dos trabalhadores.
O especialista em Aprendizagem e Mudança nas Organizações, da Universidade de Brasília (UnB), Jairo Eduardo Andrade, ressalta que a Educação Básica precisa acompanhar as necessidades do mundo atual e preparar os estudantes para o mercado de trabalho. Ele cita o exemplo da Coreia do Sul, país que revolucionou sua economia investindo na qualificação técnica profissional de seus jovens.
“Isso aparece em função de mudanças no mundo do trabalho, em função de uma nova etapa da globalização, aparece também em função de alguns exemplos que começaram a chamar muita atenção no mundo, de casos como esse na Coreia, de como a Coreia se torna mais competitiva em função de qualificação profissional.”
O trabalhador que conclui sua formação em cursos técnicos profissionais pode ter salário até 20 por cento maior, em comparação aos estudantes formandos da educação regular tradicional. O dado é de pesquisa PUC-Rio.
Com a colaboração de Cristiano Carlos, reportagem, Camila Costa