Por Raphael Costa
Os debates políticos que surgem diante da chegada do prazo final estabelecido pelo governo para votação da reforma da Previdência têm se intensificado no Congresso. O rombo, no entanto, não é uma exclusividade da União. Goiás é um dos estados que gasta mais com Previdência do que com áreas estratégicas que beneficiariam a população.
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O superintendente estadual do Tesouro de Goiás, Oldair Marinho da Fonseca, em entrevista exclusiva à Agência do Rádio Mais, detalhou a situação previdenciária no estado. De acordo com o gestor, o déficit de 2017, só com poder executivo, chegou a R$ 2,9 bilhões.
Para se ter noção do quanto isso representa, a secretaria de Tesouro informou que, em 2017, Goiás investiu quase R$ 2 bilhões em Saúde e R$ 4,4 bilhões em Educação. Com as mudanças nas regras de aposentadoria, Fonseca detalha como o dinheiro poderia ser utilizado.
“Ele poderia ser revertido e aplicado mais fortemente em três áreas do estado. Área da Saúde, Educação e Segurança Pública. Então quando o Tesouro do estado desembolsa R$2,9 bilhões com déficit, sem dúvidas, é dinheiro que deveria ser canalizado para essas áreas”, apontou Oldair.
A reforma da Previdência no sistema federal é uma das prioridades do governo de Michel Temer em 2018. Para reforçar a necessidade da aprovação e conseguir mais apoio popular, Temer tem feito aparições em programas de rádio e TV para divulgar o projeto.
Em entrevista à Rádio Bandeirantes, Temer respondeu que o principal é que os parlamentares se conscientizem da necessidade da reforma da Previdência.
“Convencimento. O que eu estava dizendo era justamente sobre a tese do convencimento. Você precisa convencer da importância, da indispensabilidade da reforma da Previdência. Até em benefícios daqueles aposentados, para que não sofram cortes, e para aqueles que ainda vão aposentar-se”, explicou o presidente.
Gastos
O rombo da Previdência federal, que atingiu a marca recorde de R$ 268 bilhões em 2017, tem consumido grande parte do orçamento federal e prejudicado o investimento em serviços básicos para os brasileiros. Para se ter noção do quanto esse o valor representa, o secretário de Previdência do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, afirmou que o déficit previdenciário seria suficiente para comprar a maior empresa do Brasil: a Petrobras.
A declaração foi dada durante debate promovido pelo “Estado de S. Paulo”, na capital paulista, nesta quinta-feira (8). O secretário da Fazenda também salientou que “reformar a Previdência não é apenas uma questão de responsabilidade fiscal, mas também social”. Ao citar que "os políticos estão incluídos nessa reforma, assim como o motorista de ônibus”, deixou claro também que o principal objetivo das mudanças nas regras de aposentadoria é acabar com privilégios.
“A gente quer obter igualdade por meio da reforma da Previdência, sim. Agora, a reforma da Previdência tem que levar em conta a própria solvência, a própria sustentabilidade das contas da Previdência. Por que? Tal como uma casa de uma família, se o dinheiro que sai começa a ser maior que o dinheiro que entra todo mês, isso não se sustenta”, opinou.
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