Saúde - Saúde·15 de setembro de 2023

De olho nos olhinhos: campanha conscientiza sobre retinoblastoma

Apresentador Tiago Leifert e a esposa, a jornalista Daiana Garbin, criadores da campanha “de olho nos olhinhos” extrapolam a internet e promovem encontro sobre conscientização da doença, em shoppings de 9 cidades brasileiras nos dias 16 e 17 de setembro

Por Lívia Braz
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O nome da campanha não poderia ser mais esclarecedor: estar atento aos olhos para descobrir se algo está fora do normal.  “De olho nos olhinhos” foi a forma que os jornalistas Tiago Leifert e Daiana Garbin encontraram para chamar a atenção para um problema grave, o retinoblastoma.

A doença ganhou notoriedade em 2022, quando a filha do casal, Lua, foi diagnosticada. Na época ela tinha apenas 11 meses. Para conscientizar a população sobre o diagnóstico precoce e a importância de prestar atenção nos detalhes, Tiago e Daiana criaram uma campanha que percorre cidades brasileiras prestando o serviço de informação. Nos dias 16 e 17 de setembro, a campanha vai estar em 9 shoppings de 9 cidades brasileiras, além de outros eventos que acontecem em todo o país com a ajuda de médicos voluntários. 

Pelas redes sociais, Tiago Leifert divulgou um vídeo em que pede que o máximo de pessoas saibam do evento e, com isso, tenham acesso às informações que podem salvar vidas. “A intenção é que as famílias consigam chegar ao diagnóstico do retino, antes do que eu e a Daiana conseguimos com a Lua.  A gente não quer doação, a gente não quer nada. A gente quer que vocês nos ajudem a espalhar informação.”

Para a médica oftalmologista, que atua há 25 anos com crianças, Nubia Vanessa, esse tipo de campanha tem uma abrangência importante. E pode ajudar a diagnosticar o câncer do olho e outras doenças. “Não só o retinoblastoma, às vezes você vai despertar para uma doença, mas você pode também, triar outras que não estavam sendo diagnosticadas”.   

O que é o retinoblastoma

Retinoblastoma é um tumor maligno da retina, que ocorre principalmente em crianças entre 0 a 5 anos, mas é mais frequente nos primeiros dois anos de vida. Esse tipo de câncer no olho, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), atinge entre 200 e 400 crianças por ano no Brasil, representa cerca de 4% dos cânceres infantis, pode causar cegueira e  —  se não for tratado — levar até à morte.

Para detectar a doença, o sinal mais frequente é um reflexo branco da pupila, chamado de leucocoria. Esse reflexo costuma aparecer em fotos ou pode ser observado por quem cuida da criança.

Segundo a médica oftalmologista, é importante que  —  não só os pais —  mas toda pessoa que lida com crianças, esteja preparada e atenta a esses sinais. 

“A equipe escolar também faz parte e pode ajudar a detectar a doença. Muitas vezes a criança olha muito de perto para os objetos, às vezes é uma criança que tem torcicolo porque muda a posição do olhar para enxergar objetos. Você tem vários outros profissionais, que não médicos, que possam também detectar a doença.”

Outros sinais e sintomas menos comuns:

  • Diminuição de visão
  • Movimentos irregulares dos olhos
  • Dor nos olhos
  • Vermelhidão da parte branca dos olhos
  • Cor diferente de cada íris


O diagnóstico precoce é fundamental pois “você desperta consciência da doença, desperta cuidado para a doença, sobretudo para doenças silenciosas”,  avalia a médica oftalmologista Nubia Vanessa. 

Quem já passou por isso também apoia

O pequeno Vitor tinha só sete meses quando a mãe Renata Cavalcante percebeu o reflexo branco no olho direito do bebê. 

“Eu comecei a observar um brilho diferente no olho dele e foi ficando recorrente, eu achei aquilo estranho até que um dia resolvi pesquisar na internet. Quando vi o resultado da pesquisa eu fiquei muito preocupada, pois só aparecia retinoblastoma  —  doença que eu nunca tinha ouvido falar.” 

Depois de passar pelo pediatra, Renata levou o filho ao oftalmologista e foi pelo exame de fundo de olho que o diagnóstico foi fechado. Mãe e filho se mudaram de Brasília para São Paulo, única cidade onde havia o tratamento para a doença na época. Depois de nove meses e quatro tipos de quimioterapia diferentes, Vítor ficou curado. 

A descoberta precoce foi crucial para o sucesso do tratamento. As sequelas que o menino tem hoje, aos oito anos de idade, são pequenas diante da gravidade do problema.   

“Ele tem uma perda de visão no olho direito mas nada que atrapalhe ele a fazer as coisas. Vida normal, joga futebol, faz tudo. Com certeza o diagnóstico precoce foi de fundamental importância. Eu pude acompanhar, quando estava em São Paulo, alguns casos de pessoas que chegaram com a doença em estágio avançado e muitos tiveram resultados bem ruins.” 

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SOBRE

Lívia Braz

Formada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em 2007, é repórter do Brasil 61 desde 2022. Ao longo de 18] anos de carreira, atuou nas redações da Record TV e na assessoria de comunicação do Governo do Distrito Federal (GDF), cobrando fatos relevantes da história do pais, como posses presidenciais e eventos jurídicos, como o julgamento do Mensalão no STF.

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