Por Paulo Henrique Gomes
De acordo com uma pesquisa realizada pela PUC-Rio, entre dois indivíduos com a mesma escolaridade, aquele que optou pela educação profissional terá 21,7% a mais de renda na região Nordeste.

Além da possibilidade de um salário melhor, os cursos técnicos profissionais são responsáveis por abrir para oportunidades de emprego. Cerca de 80% dos estudantes que concluíram cursos técnicos no ano passado foram inseridos no mercado de trabalho já no primeiro ano. É isso que explica a Diretora de Educação Profissional e Tecnológica do SENAI do Piauí, Sandra Ataíde.
“Nós temos a demanda, no caso existente, ela é grande com referência ao profissional técnico. O que acontece aqui no estado? Os jovens preferem concluir o Ensino Médio e irem participar, no caso, do Ensino Superior, a realmente irem participar de um curso técnico que já tem garantida a sua vaga no mercado de trabalho. E tem até a questão salarial, que é bem mais elevada do que o profissional que tem o nível superior”, afirma.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) 2017, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 29,2% dos jovens com idade entre 18 e 24 anos estavam desempregados no Piauí. O número é 119% superior ao índice de desemprego total do estado, que é de 13,3%.

Na opinião da professora do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB), Débora Baren, os cursos técnicos são fundamentais para unir teoria e prática. Segundo ela, essa metodologia seria capaz de modificar a realidade do país. “As soluções dos problemas hoje não são mais simples. Preciso de um administrador com habilitação em administração hospitalar conversando com engenheiro e área de TI para desenvolver algo que realmente vai mudar a vida das pessoas. Multidisciplinaridade. E o curso técnico ajuda o indivíduo a entender que não pode ficar só na teoria. Vai aprender fazer, pegar numa máquina, construir, construir habilidade técnica. Aí, consegue realmente mudar o país. E são investimentos a curto prazo. Em cinco, dez anos, você muda a realidade do país”, defende.
Segundo pesquisa publicada pela Fundação Dom Cabral, em 2016, 40% das empresas que se deparam com problemas na hora da contratação apresentam dificuldades para encontrar profissionais qualificados de nível técnico.
Dados do Centro Europeu de Desenvolvimento da Formação Profissional revelam que, na Áustria e na Finlândia, países com grande tradição nesse aspecto, o percentual de jovens que cursam itinerários vocacionais é de cerca de 70%. Em países como Alemanha, Dinamarca, França e Portugal, essa participação excede os 40%.