LOC.: O clima foi quente na reunião desta segunda-feira (10) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Os ânimos começaram a se exaltar já no início da sessão, bem antes da leitura do relatório apresentado pelo deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), recomendando a admissibilidade da denúncia contra o presidente Michel Temer pelo crime de corrupção passiva.
A primeira divergência entre os parlamentares ocorreu por conta da leitura da ata da reunião anterior. Geralmente essa leitura é dispensada, mas desta vez alguns parlamentares exigiram o seguimento do rito.
Enquanto a ata era lida pelo deputado Marcos Rogério (DEM-RO), o deputado Delegado Waldir (PR-GO) se exaltou quando foi informado de que havia perdido a titularidade da CCJ para um colega de partido.
TEC./SONORA: Delegado Waldir, deputado federal (PR-GO)
“Eu sou titular há dois anos e meio que eu estou no mandato. E eu soube pelos jornais que a minha vaga foi vendida ao governo em troca de emendas, em troca de cargos, em troca da manutenção do ministério dos Transportes pelo PR. Então fizeram uma covardia com o cidadão.”
LOC.: Além do deputado Delegado Waldir, outros parlamentares perderam seus postos na CCJ. Só nesta segunda, foram oito. Isso tem ocorrido por ordem de lideranças partidárias aliadas ao governo. O objetivo é afastar deputados que podem votar pela admissibilidade da denúncia, como admitiu o vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Mansur (PRB-SP).
TEC./SONORA: Beto Mansur, deputado federal (PRB-SP),
“Trabalhamos intensamente durante toda essa semana, fizemos algumas substituições nos partidos da base do governo e nós vamos ganhar entre 39 ou 40 votos, nós vamos vencer em cima de 65 votos que tem a comissão.”
LOC.: Ainda antes da leitura do relatório, os parlamentares oposicionistas questionaram através de seguidas questões de ordem o indeferimento dos requerimentos que pediam a convocação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para apresentar pessoalmente a acusação na CCJ. O presidente do colegiado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), justificou que Regimento Interno da Câmara, impedia a convocação do autor da denúncia neste tipo de processo.
Somente depois de mais de uma hora de discussões que o deputado Sergio Zveiter pode ler o parecer que recomendou admissibilidade da denúncia contra Temer.
Agora, para ser aprovado na CCJ, o parecer precisa do apoio de, no mínimo, 34 deputados. Depois de passar por essa fase, o relatório seguirá para votação em plenário, onde serão necessários 342 votos para que haja a autorização de abertura de processo criminal contra o presidente.
Reportagem, João Paulo Machado