A agricultura familiar no Brasil exerce um importante papel como principal fonte de abastecimento de alimentos do mercado interno. Apesar de representar uma significativa parcela na produção nacional, os agricultores familiares ainda carecem de sistemas de produção apropriados à capacidade de investimento, ao tamanho de suas propriedades rurais e ao tipo de mão-de-obra empregada.
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Uma das saídas que pode trazer vantagens econômicas e ambientais para os agricultores familiares é a técnica denominada agrofloresta ou sistema agroflorestal (SAF). O tema foi um dos assuntos discutidos no Fórum Mundial da Água, que acontece até sexta-feira (23), em Brasília. Segundo o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, o sistema é planejado para permitir colheitas desde o primeiro ano de implantação, de forma que o agricultor obtenha rendimentos provenientes de culturas anuais, hortaliças e frutíferas de ciclo curto, enquanto aguarda a maturação das espécies florestais e das frutíferas de ciclo mais longos. Assim, o maior número de produtos disponíveis para comercialização em diferentes épocas do ano e ao longo do tempo, incrementa a renda e aproveita melhor a mão-de-obra familiar. Além disso, ele afirma ainda que a prática agroflorestal já é adotada em 25% das propriedades rurais brasileiras.
“O Brasil vem experimentando muito com o conceito da agrofloresta. Nós temos, agora, eu acredito, uma revolução no Brasil, que é a intensificação através do uso dos sistemas integrados, integrando lavoura e pecuária, lavoura, pecuária e floresta, e diferentes combinações de sistemas integrados que já perfazem cerca de 12 milhões de hectares do Brasil”.
Desde 1999, a Embrapa oferece cursos presenciais de sistemas agroflorestais, destinados à produtores rurais, pesquisadores, professores e técnicos extensionistas. A partir de 2016, o órgão passou a mapear e estimular agroflorestas nas regiões Sul e Sudeste. No Rio de Janeiro, há exemplos dessa prática em municípios como Paraty e Silva Jardim. Nos locais, arbustos e árvores se unem a uma variedade de frutos, que vão desde limão, açaí, manga e acerola até caju, banana e laranja. O que comprova, na prática, o objetivo do modelo agroflorestal: a possibilidade de cultivar sem desmatar.
Outra problemática que também afeta os agricultores familiares é a gestão da água, recurso que é a base da produção no campo. Na visão do presidente da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer), Luiz Hessmann, o consumo hídrico dos agricultores familiares é indispensável. Ele também reforça a necessidade de haver equilíbrio entre as áreas rural e urbana.
“O meio rural preserva ‘muito bem, obrigado’ as águas. O que nós precisamos muito seriamente é com o urbano, que está dando alguns problemas. E a água para nós na agricultura é de fundamental importância, é um case de sucesso em qualquer atividade na pecuária ou na agricultura”.
A agrofloresta, segundo a Embrapa, tem como característica marcante a reciclagem mais eficiente dos nutrientes. A biomassa depositada no solo pela queda de folhas, pela poda de ramos e por resíduos das culturas anuais, por exemplo, melhora a oferta de nutrientes dos cultivos e favorece a atuação de microorganismos benéficos ao solo.
A dica para agricultores familiares é observar qual cultura será produzida e em qual região. A indicação é que se utilize espécies forrageiras perenes, como alfafa e capim, quando houver criação de animais. A Embrapa garante ainda que esse sistema de produção é uma opção viável para os produtores rurais, já que contribui para a diversificação de produtos e a sustentabilidade ambiental. Além disso, a prática agroflorestal incrementa a fertilidade do solo e reduz os custos de produção.
Se você quiser saber mais sobre esse tipo de produção sustentável, procure a Embrapa no seu estado ou na sua região. São mais de 60 unidades espalhadas pelo Brasil. Para ver a lista de locais e endereços completos, acesse embrapa.br.
Reportagem, Tácido Rodrigues