O Índice de Confiança EmpresArial (ICE) subiu 1,3 ponto em setembro e chegou à terceira alta consecutiva. O indicador foi para 87,3 pontos, alcançando a melhor marca desde dezembro de 2014. Os dados foram divulgados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Para o especialista em finanças Marcos Melo, o resultado apresentado é bom para a economia e representa uma segurança que os empresários têm para investir nos negócios. “Um dos fatores que são fundamentais, inclusive, para ter um retorno da atividade econômica, é justamente a perspectiva do empresário, principalmente, em ver que, no futuro ele vai ter a possibilidade pelo retorno, do investimento que ele vier a fazer agora", explicou.
De acordo com o balanço, o Índice de Situação Atual – que mede as expectativas em relação a vendas, compras e emprego de um futuro próximo – foi o que mais contribuiu para o aumento da confiança empresArial. O indicador subiu 1,2 ponto em relação ao mês anterior e alcançou 82,9 pontos. Para o deputado Federal Celso Maldaner (PMDB-SC), membro da Comissão de Agricultura, um dos setores com boas perspectivas na economia nacional é o agronegócio. “O que tem salvado a balança comercial, o que tem trazido otimismo em todos os setores foi o agronegócio. Claro que agora a indústria começa a mostrar um positivo, a economia está se separando da parte política. Mas graças a Deus, depois de três anos de crise, agora nós vamos voltar a crescer.”
O deputado Federal Helder Salomão (PT-ES) vê a retomada da economia também para as micro e pequenas empresas. De acordo com o parlamentar, a taxa de empregabilidade no setor tem apresentado bons resultados. “O saldo líquido de emprego já indica que as micro e pequenas empresas estão gerando mais empregos do que demitindo. Isso depois de uma tendência de queda também entre esse segmento, nos últimos meses. Entendo que, depois de um momento político complicado, as empresas estão chegando à conclusão que elas não podem ficar esperando pelo poder público.”
No mês passado, todos os grandes setores da economia registraram alta na confiança entre os empresários. O maior destaque foi para o comércio, com 0,6 ponto. O serviço avançou 0,5 ponto. Já a indústria e a construção subiram 0,1 ponto cada.
Que fatores são levados em conta para se chegar ao Índice de Confiança EmpresArial (ICE)?
Entre os principais setores que movimentam a economia, quais têm se destacado mais sob o ponto de vista empresArial?
Nos últimos 12 meses, a indústria tem saído um pouco na frente, influenciada pelas vendas ao mercado externo. Nós estávamos com alguns problemas com vizinhos da América Latina, principalmente o setor automobilístico com a Argentina. Isso se desenrolou bem, então o setor está exportando mais. Ao mesmo tempo, o câmbio não está tão ruim em comparação aos últimos anos, o que era desfavorável para as exportações. Além disso, deve-se levar em conta o crescimento mundial em geral, que está mais forte do que se esperava. Com o canal externo mais favorável, internamente se tem alguma recuperação das compras, mais especificamente a partir do segundo trimestre deste ano com a entrada do FGTS. Nós tivemos também uma ajuda da safra agrícola, com vendas de produtos industriais ligados ao setor agropecuário, como fertilizantes, adubos, tratores. Além disso, a entrada do FGTS estimulou a venda de eletroeletrônicos e automóveis.
O senhor avalia que esses números demonstram uma recuperação da economia? Isso pode ampliar os investimentos no setor empresArial?
A tendência é que o índice melhore nos próximos meses?