A tecnologia tradicional ainda é muito dependente de seres humanos que monitoram as ferramentas a todo momento. Corrigindo falhas, dando coordenadas e programando a tarefa que cada máquina deve realizar.
Mas a Indústria 4.0 veio para revolucionar essas tecnologias. Isso porque já existem ferramentas que auxiliam as empresas em seus processos produtivos. Um exemplo na produção de peças e motores é o sistema de conexão máquina-máquina, que acelera a fabricação das peças. É o que explica o engenheiro em controle de automação Elias Neto.
“Os sistemas de conexão máquina-máquina são sistemas que trocam informação entre si, de máquina para máquina. Eles são compostos por sistemas de transmissão e recepção de dados, em que as máquinas trabalham falando a mesma língua”.
Esse tipo de tecnologia possibilita que duas ou mais máquinas se comuniquem por meio de uma linguagem única. Isso significa, por exemplo, que com a ajuda das máquinas fabricadas em uma empresa da indústria automobilística, concessionárias podem mudar a maneira de vender carros.
Funciona assim: ao invés de fabricar uma quantidade específica de veículos em série, e criarem um estoque, as montadoras podem programar máquinas que se comunicam. Então quando um carro é vendido na concessionária, uma máquina manda a informação para outra máquina que já começa a montar as peças de um motor, por exemplo.
O supervisor de automação da empresa responsável pela fabricação das máquinas, Marcelo Olivio, explica que as novas tecnologias habilitadoras têm contribuído para o avanço da empresa.
“A indústria 4.0 para nós, aqui hoje, está entrando na parte de diagnóstico inteligente das máquinas. Que as máquinas conseguem dar alguns diagnósticos e também elas mesmas, alguns problemas tentam solucionar.”
Para o gerente executivo de Política Industrial da CNI, João Emílio, essas novas tecnologias precisam ser inseridas rapidamente nas empresas brasileiras para o avanço da produtividade do país.
“As tecnologias digitais têm o potencial de contribuir para a solução de grandes problemas nacionais. Então, se a gente pensar em atendimento à saúde, de eficiência energética e mobilidade urbana. Tudo isso pode ser melhorado. A prestação de serviço para a sociedade pode ser melhorada por meio de tecnologias digitais.”
Para otimizar o trabalho das empresas, o Serviço Nacional de Aprendizagem, o SENAI, tem investido no treinamento e na capacitação das empresas. O programa Brasil Mais Produtivo já atendeu três mil empresas em todo o país, e pretende, até o próximo ano, atender mais 600 empresas.
Dados da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) mostram que as empresas que participaram do programa, em 2017, alcançaram aumento de 52% de produtividade nas linhas de produção.
Reportagem, Sara Rodrigues