No estado do Pará, quase 62% das rodovias são ruins ou péssimas, e apenas 13,5% delas são avaliadas como boas ou ótimas. Os dados são da Pesquisa Rodovias, realizada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), e levam em conta pavimentação, sinalização e geometria das estradas.
Segundo dados do IBGE, o impacto econômico da produção agrícola paraense cresceu mais de 170% entre 2006 e 2013, representando pelo menos 40% de todo o Produto Interno Bruto estadual.
O estado, hoje, é o maior criador de búfalos do país, com pelo menos 520 mil cabeças, segundo o Censo Agro 2017. Dada a importância da produção para a economia local, a má qualidade das estradas dificulta o escoamento e o transporte de ferramentas e animais, por exemplo.
Os piores trechos ficam próximos à divisa com o Mato Grosso do Sul, entre as cidades de Santana do Araguaia e Marabá. Para Patrícia Bittencourt, professora da Universidade Federal do Pará, o estado desperdiça seu potencial hidroviário.
“A natureza foi tão generosa com a gente que a maioria dos nossos rios são navegáveis. Os países mais desenvolvidos, nem tem os rios navegáveis, eles trabalham, fazem obras hidráulicas pesadíssimas para navegabilidade desses rios, e nós que já temos nossos rios praticamente todos navegáveis, salvo um ou outro gargalo, a gente não aproveita”, lamentou.
A pesquisa da CNT também revela que o Pará vive o oposto da realidade dfo resto do país: no estado, as rodovias federais estão em estado pior do que as estaduais. Uma das duas únicas rodovias estaduais é a que está em melhor condição: a PA-150, próxima à Belém.
Segundo o professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), da Universidade de São Paulo (USP), João Vicente Caixeta Filho, 80% do transporte de carga agrícola do país é feito por rodovias. Para ele, a solução, muitas vezes, esbarra em questões políticas.
“O tempo de maturação para a obra ferroviária é mais longo, ultrapassa os mandatos políticos. Então, deve fazer parte de uma agenda mínima de estado, e o estado extrapola governo e partido politico. Nós precisamos de projeto de estado onde de fato possa ter uma capilaridade adequada para movimentar as cargas de uma maneira geral, e particularmente as cargas agrícolas", analisou.
Os temas ligados à infraestrutura também fazem parte das propostas de governo dos presidenciáveis. O sistema hidroviário, por exemplo, é defendido por Henrique Meirelles, candidato do MDB à presidência da República. De acordo com ele, as obras necessárias são mínimas e custam pouco.
“Temos que explorar também a grande vantagem do Brasil que é a hidrovia, que é o sistema mais barato que existe de transporte. Algumas obras pontuais, por exemplo, eliminando algumas rochas no Tocantins, Araguaia, pode viabilizar o grande escoamento de toda essa região”, prometeu.
O candidato do PSOL, Guilherme Boulos, disse que é preciso aumentar o investimento estatal na área, que hoje corresponde a apenas 2% do PIB. Já Marina Silva, da Rede, defende um projeto econômico que esteja atento às mudanças nas formas de produção mundial.
O tucano Geraldo Alckmin aponta a necessidade de ajuste fiscal para retomada da economia, o que, consequentemente, aumentaria os investimentos no país, incluindo na infraestrutura.
Ciro Gomes, do PDT, disse que, para garantir investimentos em todas as áreas, incluindo infraestrutura, é preciso revogar a PEC do teto de gastos, aprovada pelo governo de Michel Temer, que, segundo ele, congela gastos com saúde, educação e investimentos.
Reportagem, Ana Luiza de Carvalho