Por Aline Dias
A empresa gaúcha Bruning Tecnometal aumentou a produtividade em 14%, após investir em inovação tecnológica. Há mais de 70 anos no mercado, é uma indústria do ramo metalmecânico, que fabrica componentes de peças de veículos, atendendo segmentos automotivos nas áreas rodoviária, agrícola e de construção.

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Com as mudanças da Indústria 4.0, a Bruning deixou de usar a manufatura enxuta, método antigo de gestão, que já não estava mais trazendo resultados e passou a utilizar uma das ferramentas da manufatura digital. Antes, todos os processos eram planejados e calculados manualmente e não havia como garantir que os resultados alcançados seriam os previstos inicialmente. A simulação computacional, implantada após uma parceria com o Instituto SENAI de Inovação em Soluções Integradas em Metalmecânica, trouxe precisão nos resultados e melhorou a produtividade.
O analista do Sistema de Produção Bruning, Giovani Locatelli, explica que o software de simulação funciona como uma fábrica virtual, onde são desenhados todos os processos planejados pela empresa. O programa, então, simula o funcionamento da fábrica com as decisões tomadas e fornece dados precisos dos retornos obtidos após a implantação dos processos.
“Para aprovar uma melhoria dentro da empresa, que muitas vezes passa por muitos gerentes, acaba se tornando muito mais fácil e mais viável. Eu consigo chegar já com o resultado que realmente vou atender, sendo que antes era tudo um cálculo estimado, podia ou não atender aquele resultado”, destaca.
O diretor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Rio Grande do Sul (SENAI-RS), Carlos Trein, explica que os Institutos SENAI de Inovação atendem demandas de indústrias brasileiras que queiram desenvolver algum produto ou processo. “Os institutos de inovação têm um viés forte no desenvolvimento de projetos de inovação, novos produtos, novos processos”, ressalta. Atualmente, no estado, existem 20 projetos em andamento. Segundo Trein, os institutos colocam “uma série de tecnologias e competências de conhecimentos à disposição da indústria brasileira para o aumento da competitividade”.

No Rio Grande do Sul, estão dois dos 25 Institutos SENAI de Inovação. Eles são especializados em Engenharia de Polímeros e Soluções Integradas em Metalmecânica. Os institutos surgiram a partir do incentivo da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), movimento coordenado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que reúne mais de 150 lideranças das maiores empresas brasileiras. O objetivo é proporcionar soluções ágeis e inovadoras sob medida às necessidades da indústria.
A localização de cada instituto buscou facilitar o fluxo de conhecimento científico e tecnológico entre o ambiente acadêmico e o setor produtivo. Além das universidades, os Institutos SENAI de Inovação possuem parceiras internacionais, que são acionadas quando um projeto ou serviço exige conhecimento ou equipamentos inexistentes no Brasil.
Inovação no Brasil
O Brasil ocupa a 64ª posição no Índice Global de Inovação (IGI). O país subiu no ranking, mas não ficou nem mesmo entre os líderes em inovação na América Latina, que segue com o Chile na primeira posição regional. Nos últimos dois anos, o país ocupava o 69º lugar. Na escala global, Suíça, Reino Unido e os Estados Unidos lideram. A melhor colocação já registrada foi em 2011, quando o Brasil ocupava a 47ª.
De acordo com a última Pesquisa de Inovação (Pintec), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada a cada três anos, o percentual de empresas inovadoras que receberam apoio do governo para atividades de inovação aumentou em relação ao período anterior, passando de 34,2%, entre 2009 e 2011, para 40%, entre 2012 e 2014. Mas a principal fonte de suporte financeiro continua sendo o autofinanciamento. Quase 70% das empresas que inovaram em produto ou processo, entre 2012 e 2014, apontaram a escassez de fontes de financiamento como uma das maiores dificuldades para realizar inovação.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) identificou e encaminhou aos candidatos à presidência uma série de propostas para o fortalecimento da política industrial e de inovação. Entre as medidas estão o aumento de recursos financeiros destinados à Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio do governo federal e entidades privadas, e a implementação de políticas de suporte ao desenvolvimento de pequenas e médias empresas inovadoras.