
Voltar
LOC.: A Confederação Nacional da Indústria manteve em dois vírgula três por cento a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro em 2025.
Mas reduziu a previsão de crescimento da indústria para um vírgula seis por cento.
É a segunda revisão para baixo consecutiva, segundo o Informe Conjuntural do terceiro trimestre, divulgado nesta sexta-feira, dia 17 de outubro.
O desempenho da economia tem sido sustentado principalmente pela agropecuária, que deve crescer oito vírgula três por cento, e pelo setor de serviços, com avanço previsto de dois por cento.
Já a indústria de transformação deve ter expansão de apenas zero vírgula sete por cento — menos da metade da estimativa feita no início do ano.
De acordo com o diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, a indústria de transformação é o setor com maior perda de ritmo em relação ao ano passado, quando cresceu três vírgula oito por cento.
TEC./SONORA: Mário Sérgio Telles, diretor de Economia da CNI
“Nós estamos com a taxa de juros básica, a Selic, em 15%. É o maior patamar em quase 20 anos. Isso é muito forte e tem diminuído a demanda, principalmente por bens industriais, porque o crédito cresce menos. Ano passado o volume de crédito cresceu a quase 11%. Esse ano a nossa projeção é uma queda pela metade desse crescimento de só 5,5% nas concessões de crédito.”
LOC: Outro fator negativo vem do mercado externo. Os Estados Unidos são o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira, mas novas tarifas reduziram, entre agosto e setembro, as exportações para os EUA em vinte e um vírgula quatro por cento na comparação com os mesmos meses do ano passado.
TEC./SONORA: Mário Sérgio Telles, diretor de Economia da CNI
“Então, esses três fatores: menos exportações para o nosso principal mercado, uma entrada muito forte de importações no mercado nacional e o mercado nacional que parou de crescer, esse conjunto leva a essa revisão forte na projeção de crescimento da indústria de transformação de 1,5% para 0,7%.”
LOC: A construção civil também foi afetada pelos juros altos e teve sua previsão revisada de dois vírgula dois para um vírgula nove por cento.
Mesmo com a desaceleração prevista na geração de empregos, a massa salarial deve crescer cinco vírgula quatro por cento em dois mil e vinte e cinco.
Segundo a CNI, as despesas do governo federal também devem crescer no segundo semestre, impulsionadas pelo pagamento de precatórios e pela ampliação dos gastos discricionários.
A projeção é de aumento de três vírgula cinco por cento, um pouco abaixo do registrado no ano passado.
Reportagem, Cristina Sena