Com maioria dos votos, Henrique Meirelles foi oficializado como candidato do MDB à presidência da República. O ex-ministro da Fazenda teve 85% de aprovação na convenção nacional do partido que ocorreu nesta quinta-feira (2), em Brasília. O número supera o percentual que aprovou Temer como vice-presidente de Dilma Rousseff na última corrida presidencial. O atual chefe do Executivo teve 54% de aprovação em 2014.
Mesmo com apoio de grande parte da militância do partido, Henrique Meirelles enfrentou resistência dentro da própria legenda. É o caso dos senadores Renan Calheiros (AL) e Roberto Requião (PR).
Antes do anúncio oficial do resultado da votação, feito pelo presidente do partido, senador Romero Jucá (RR), Requião criticou a candidatura de Meirelles ao afirmar que a legenda está indo na contramão.
“O ideal do PMDB é ter uma candidatura à moda antiga, do velho documento esperança e mudança. Nacionalista, desenvolvimentista e popular. Nós estamos na contramão”.
Para o senador Renan Calheiros, que deixou o evento antes mesmo do anúncio da vitória de Meirelles, o MDB precisa se reinventar.
“O fundamental é que não se homologue essa candidatura. Eu acho que o MDB tem que se reconstruir. Tem que voltar a cumprir um papel importante a partir do próximo ano, depois da eleição. Tem que defender um pacto econômico e social para o Brasil sair da crise”.
A convenção nacional realizada em Brasília reuniu diretórios do MDB de todas as regiões do país. Candidatos, pré-candidatos, secretários de estado e lideranças regionais estiveram presentes, além do presidente Michel Temer.
Em discurso após a oficialização da candidatura de Meirelles, Temer reforçou que o ex-ministro da Fazenda tem a liderança necessária para ser o próximo presidente da República.
“Uma figura que já demonstrou competência, uma figura que sabe o que faz, uma figura que apenas não diz palavras, mas da conteúdo as palavras na ação governamental. Nós não somos pigmeus, o PMDB é feito de gigantes. E o gigante que vai nos conduzir até o Meirelles”.
A candidatura de Meirelles é a primeira do MDB desde 1994, quando o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia disputou sem sucesso a corrida presidencial.
O presidente nacional do MDB, senador Romero Jucá, afirmou que o nome para vice na chapa ainda não foi definido, mas garantiu que até segunda-feira (6), data limite estabelecida pelo TSE, a indicação será divulgada. O próprio Meirelles admitiu que pode haver uma chapa "puro sangue".
Reportagem, Thiago Marcolini