A cada ano que passa o interesse dos estudantes de cursos superiores por cursos de matemática, engenharia, ciência e tecnologia, vem caindo no país.
Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que apenas 16% dos universitários se interessam pelas áreas das ciências exatas. Além disso, 60% dos diplomas universitários registrados no Brasil são das áreas de humanas e ciências sociais, como mostra também relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Para a especialista em Administração da Universidade de Brasília (UnB), Débora Baren, o desinteresse dos estudantes pelas áreas de exatas pode estar relacionado a complexidade e a duração dos cursos que, normalmente, demandam mais tempo para formação, em comparação aos ministrados nas faculdades de humanas, por exemplo.
Débora Baren alerta que os cursos superiores de tecnologias, matemática, engenharia e ciência são importantes para o país e o estudante deve ter certeza que vai mesmo seguir essas carreiras para não correr o risco de abandonar a universidade antes da formatura.
“Como sabem que é uma condição de sobrevivência das organizações no mundo moderno, dão bolsa, fazem uma série de ações sustentáveis para que esse menino ou menina consiga estar naquele ambiente. Tem coisas que se for interesse do país, que imagino que seja, porque os de ponta investem efetivamente nessas áreas, é extremamente importante que a gente identifique se é o que desejamos e como vamos fomentar isso.”
As profissões tecnológicas, de engenharia e matemática, por exemplo, têm grandes demandas no mercado de trabalho.
São nessas áreas que o estudante consegue formação para atuar nas chamadas “profissões do futuro”, como internet, tecnologia da informação e inteligência artificial, como lembra a especialista.
“Não estamos falando de futurologia. Temos uma situação de mundo. Olha como nossa sociedade mudou, como compra pela internet. A parte de tecnologia que, inclusive, estamos começando a caminhar nisso, impressoras 3D, inteligência artificial, ou seja, não tem como a parte da ciência, matemática, engenharia, não ser um grande foco do futuro. Estamos inseridos dentro de uma sociedade do conhecimento.”
Enquanto no Brasil apenas pouco mais de 15% dos estudantes universitários estão em cursos de exatas, na Alemanha, que reconhece a formação nessas áreas como estratégia de inovação e crescimento, o interesse pelos cursos de engenharia, matemática, tecnologia e ciência é de quase 40% dos estudantes universitários.
Reportagem, Camila Costa-