A alta demanda de manutenção e construção de rodovias leva à discussão sobre a necessidade de parcerias público-privadas (PPPs) na área de infraestrutura. No Espírito Santo, a diferença na qualidade da BR-101, concedida à iniciativa privada, e das demais rodovias sob responsabilidade exclusiva do governo é notada pelos motoristas.
Prova disso é que um estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) classificou, no Espírito Santo, apenas a rodovia privatizada como boa, enquanto os outros trechos analisados receberam avaliação regular, ruim ou péssima.
De acordo com o coordenador de engenharia do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) do Espírito Santo, Renan Guzzo, já existem estudos internos que mostram a demanda do estado por duplicação de vias e outras reformas estruturais.
Além disso, o engenheiro acredita ainda que a integração dos modais, especialmente hidroviário e ferroviário, deve ser prioridade para escoar, por exemplo, a produção agrícola.
“Eu não preciso chegar com estrada de ferro lá próximo ao produtor da zona rural, mas eu tenho que dar condições dele, através de um modal rodoviário, por exemplo, de ter uma estação ferroviária que eu consigo fazer o transbordo dessa carga. Às vezes, a burocracia interna no sistema do governo federal impede que a gente consiga implantar inovações.”
Em ano eleitoral, presidenciáveis já se posicionaram sobre propostas para aumentar os investimentos em infraestrutura. O candidato ao Planalto pelo MDB, Henrique Meirelles, apontou a extensa possibilidade hidroviária do país para movimentar a economia.
“Temos que explorar também a grande vantagem do Brasil que é a hidrovia que é o sistema mais barato que existe de transporte. Algumas obras pontuais, por exemplo, eliminando algumas rochas no Tocantins, Araguaia pode viabilizar o grande escoamento de toda essa região”.
O candidato do PSOL, Guilherme Boulos, disse que é preciso aumentar o investimento estatal na área, que hoje corresponde a apenas 2% do PIB. Já Marina Silva, da Rede, defende um projeto econômico que esteja atento às mudanças nas formas de produção mundial.
Reportagem, Clara Sasse