Por Jalila Arabi
Pouco mais de 45% do rendimento de aposentadorias em 2015 eram apropriados pelos 10% mais ricos da população com menos de 60 anos de idade. Enquanto isso, 39,1% ficavam com os idosos a partir dos 60. Os dados fazem parte do estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) recentemente, que falam sobre o fenômeno da aposentadoria precoce no Brasil.
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De acordo com o estudo, quando se considera o rendimento do benefício apropriado pelos 30% mais ricos da população, os percentuais ficam em 73,4% para os não idosos e 65,3% para as pessoas com 60 anos ou mais. “O problema maior é uma distorção que eu acho conceitual, que é, na verdade, você estar pagando um benefício de aposentadoria para pessoas que estão em plena capacidade laboral e que, muitas vezes, continuam trabalhando”, defende o coordenador de Previdência Social do Ipea e um dos autores do estudo, Rogério Nagamine.
O número de beneficiários com menos de 60 anos na região Sudeste se manteve estável na comparação entre 1992 e 2015, com 3,4% da população total. Foi o número de idosos com 60 anos ou mais que cresceu em São Paulo. Passou de 6,3 milhões em 2012 para 6,9 milhões no ano passado. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população nessa faixa etária cresceu 16% em quatro anos no Brasil.
Idade
Outro dado destacado no estudo é o aumento da expectativa de vida como fator impactante na previdência. Em 1940, o brasileiro vivia até 45,5 anos. No ano passado, subiu para 75,8 anos. “Isso é um ponto muito positivo, porque foi uma conquista social, conquista do povo brasileiro em conseguir ter uma expectativa de vida maior”, avalia o especialista em finanças Marcos Melo.
O número de aposentados no Brasil também aumentou. Na população 60 a 69 anos, por exemplo, passou de 3,1 milhões em 1992 para 9,4 milhões em 2015. Com menos de 60 anos também subiu – de 2,4 milhões para 4,3 milhões no mesmo período. “A gente tem uma regra que permite as pessoas se aposentarem muito cedo com benefícios muito elevados”, comenta o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE-FGV) Fernando de Holanda Filho.
No ano passado, a idade média de aposentadoria dos brasileiros foi 54 anos. O Brasil não tem idade mínima estabelecida para o benefício. Se a reforma proposta pelo Governo for aprovada, os homens se aposentariam aos 65 e as mulheres, aos 62 até 2038.
Gastos
Em São Paulo, a previsão de rombo previdenciário para este ano é de R$ 17 bi, segundo informações da Fundação de Previdência Complementar do estado (SP Prevcom). A projeção é de que, em dez anos, o estado alcance R$ 36 bi de déficit.
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