Os deputados da base aliada do governo já estão trabalhando nos bastidores da Câmara dos Deputados para que a denúncia contra o presidente Michel Temer seja votada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Casa o quanto antes.
Nesta terça-feira (17), a fase de discussão do relatório do deputado Bonifácio de Andrada começa na comissão. O relatório é a favor de Temer e, por isso, os aliados do presidente pretendem encurtar os discursos ao máximo para acelerar o rito.
Ao todo, 172 deputados vão poder discursar. Na primeira denúncia analisada pela CCJ, em julho, a fase de discussão do relatório durou 19 horas. A oposição vai apostar na divulgação do vídeo da delação de Lúcio Funaro, realizado pela presidência da CCJ na semana passada, para derrubar o relatório de Bonifácio.
A base aliada segue afirmando os mesmos argumentos da defesa de Temer, ou seja, que o vazamento do vídeo foi um ato criminoso. O deputado Carlos Marun, do PMDB sul-mato-grossense, vai além. Para ele, a divulgação do vídeo da delação de Funaro foi uma tentativa não republicana de afastamento de Temer da Presidência da República.
"Eu, de minha parte, corroboro todas as palavras do presidente. Eu acredito sim que se estabeleceu uma conspiração que visava o afastamento do presidente por motivos não republicanos. O presidente ontem desabafou. A oposição está no seu papel."
O líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro não quis entrar na polêmica do vídeo de Funaro. Em tom tranquilo afirmou que a denúncia atual contra o presidente Temer não tem nada de novo, em comparação com a primeira, por isso, acredita no arquivamento da acusação da PGR.
"Nós não temos mais nada de novo. Eu acho que a primeira denúncia já foi enfrentada e essa, certamente, será enfrentada com a mesma convicção que os parlamentares tiveram."
Após a fase de discussão do relatório de Bonifácio de Andrada, os deputados devem votar o texto na CCJ. Independentemente do resultado na comissão, a denúncia contra o presidente Temer segue para votação no Plenário da Câmara dos Deputados.
De Brasília, Cristiano Carlos