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LOC.: O governo até tentou, mas não conseguiu impedir que a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovasse um pacote de resgate para produtores rurais endividados. A medida permite o uso de até 30 bilhões de reais do Fundo Social do Pré-Sal para financiar a renegociação das dívidas de agricultores e pecuaristas contraídas desde 2019.
O projeto cria linhas especiais de crédito com juros de 3,5% a 7,5% ao ano, a depender da receita e do tamanho da propriedade do produtor. Os valores foram limitados a R$ 10 milhões por beneficiário e R$ 50 milhões por associação, cooperativa de produção ou condomínio, com carência de até 3 anos e prazo máximo de quitação em até 10 anos.
A resistência do Ministério da Fazenda estava no impacto financeiro da proposta. A equipe econômica calcula que o projeto, da forma que foi aprovado, pode atingir uma carteira de até R$ 1,4 trilhão em dívidas rurais e gerar impacto fiscal de R$ 817 bilhões em 13 anos. Nos cálculos dos parlamentares, esse valor é de aproximadamente R$ 180 bilhões, com impacto estimado em R$ 100 bilhões ao longo da próxima década.
Outra discordância se deu quanto a utilização dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal. A lei que regula o uso do dinheiro decorrente da exploração de petróleo no país determina que a verba deve ser aplicada em projetos e programas em diversas áreas como educação, saúde pública, meio ambiente e mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
Para passar a valer, o texto ainda tem que ser votado no Plenário do Senado, o que ainda não há data, e retornar para a Câmara dos Deputados, casa de origem da proposta. Como houve modificações na casa revisora, os deputados devem votar se mantém as modificações dos senadores ou se retomam o texto original, que limitava o resgate financeiro a produtores prejudicados por eventos climáticos.
Reportagem, Álvaro Couto.