No último final de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que não há mais o que tratar com o regime da Coreia do Norte e que só uma coisa funcionará. Ao ser questionado sobre o que ele pretendia fazer, o presidente americano limitou-se a dizer que "vocês saberão logo". Já o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, ressaltou que o país vai continuar desenvolvendo o programa nuclear para defender a soberania das ameaças norte-americanas. Segundo a especialista em Relações Internacionais, Mônica Herz, esta é uma interação entre duas lideranças baseada na lógica da ameaça.
"Um ameaça o outro, achando que vai controlar o comportamento do outro através da ameaça. Isto, em certas circunstâncias, pode até dar certo, mas quando você tem uma escalada de ameaças, como você está vendo neste momento, o que pode ocorrer é um acidente, uma percepção de ameaça existencial tão gigantesca, que uma das parte resolve, de fato, usar da agressão física. E no caso, nós estamos falando de dois países que possuem armas nucleares. Então é uma situação muito perigosa."
A especialista em Relações Internacionais conta que trata-se de dois países que não têm canais de comunicação, de coordenação de políticas e dá mais detalhes do motivo da Coreia do Norte se sentir cercada.
"É muito importante levar em consideração que a Coreia do Norte, de fato, se sente ameaçada na sua existência. Esta percepção de ameaça por parte da Coreia do Norte, ela não é completamente absurda, nem irracional. Ela advém do fato de que não há um Tratado de Paz entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, depois da Guerra da Coreia, depois de tantos anos, foi lá atrás na década de 50, isso decorre do nível de presença militar americana na Coreia do Sul, na região, no Japão... eles se sentem cercados e depois você tem uma escalada de ameaças, no caso deste governo Trump."
As acusações entre as duas lideranças começaram no dia 19 de setembro, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas.
Reportagem, Cintia Moreira.