O Amazonas é hoje o estado que apresenta a maior taxa de incidência do vírus HIV da Região Norte, de acordo com o mais recente boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. A luta contra o vírus, deve ganhar reforços agora no mês de dezembro, em comemoração aos 30 Anos do Dia Mundial de Luta contra a Aids. Para intensificar o combate, a Secretaria Estadual de Saúde vai oferecer mais de 47 mil testes rápidos e distribuir mais de um milhão e meio de preservativos durante a campanha. A enfermeira do Setor de Prevenção da Coordenação Estadual de IST/aids, Evelyn César Campello, reconhece a dificuldade que o Estado enfrenta para atingir a população que precisa do tratamento contra o vírus, mas ressalta que a Secretaria trabalha na expansão das ações para atender os amazonenses.
“A nossa política está sendo cumprida conforme as recomendações, no entanto, a gente ainda tem uma dificuldade de atingir as populações mais expostas. Então a ampliação da rede, ainda é muito importante nesse momento pra que a gente garanta o atendimento de 100% da população que necessita, principalmente nos quesitos de prevenção. Por exemplo, a PreP, profilaxia pré-exposição, ela foi implantada neste ano no Estado do Amazonas, e a gente ainda não tem uma quantidade de pacientes fazendo o uso desse tratamento que a gente esperava. Então a gente precisa ampliar, expandir, principalmente para a atenção básica.”
Além de controlar o vírus em si, não só o Amazonas, como o país inteiro ainda enfrenta outra batalha: a do preconceito. O cabelereiro e ativista Felipe Alexandre dos Santos, de 27 anos, sabe bem o que é isso. Diagnosticado há 3 anos, o rapaz viu sua vida ser transformada pela notícia, e procurou ajuda na internet.
“As pessoas me chamavam de o menino da Aids, sabe? Eu acho que isso é uma coisa bem marcante pra mim, porque onde eu passava eles estavam comentando isso. Meus amigos se afastaram de mim, meu contato com meus sobrinhos ficou limitado. Eu estava desesperado e não tinha ninguém pra conversar em relação a isso. Porque eu estava sozinho e a depressão já estava me pegando de jeito. Aí, eu entrei no bate-papo uol, e vi que tinha uma sala de positivos”.
Felipe teve que se mudar para fugir dos olhares e julgamentos. Hoje em Manaus, é um dos coordenadores de base da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo Com HIV/aids. A organização acolhe jovens e adultos que descobrem a doença, e fazem ações, palestras e oficinas, afim de desconstruir o preconceito, além de orientar a população. O Brasil é reconhecido hoje, como uma referência pela Organização das Nações Unidas, a ONU. Portanto use sempre camisinha, conheça as outras formas de prevenção combinada, disponíveis no SUS, e proteja-se. Trinta anos do Dia Mundial de Luta Contra a AIDS. Uma bandeira de histórias e conquistas. Saiba mais em aids.gov.br. Ministério da Saúde, Governo Federal.