Educação - undefined·25 de fevereiro de 2019

Alunos de Boa Vista criam jogo interativo para cuidar do psicológico de astronautas

Por Camila Costa
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“Não adianta o físico estar perfeito, se o psicológico está abalado.” Após escutar essa frase de uma educadora física, alunos do Centro de Ciência, Tecnologia e Inovação (CCTI) de Boa Vista, município de Roraima, não tiveram mais dúvidas: deveriam criar uma solução para melhorar o psicológico dos astronautas, que ficam longos tempos longe de amigos e familiares. Inscrita no Torneio SESI de Robótica FIRST® LEGO® League, que acontecerá entre os dias 15 e 17 de março, no Rio de Janeiro, a equipe denominada “I, Robot” participará pela primeira vez de uma etapa nacional e espera levar um bom resultado de volta para Boa Vista.

A competição é realizada no Brasil há mais de 10 anos e, a cada ano, tem um tema central. Em 2019, a temática é “Into Orbit”. Os participantes terão que trabalhar em cima de soluções para as problemáticas que envolvem o espaço e desenvolver facilitadores para a vida dos astronautas. E foi pensando na resistência psicológica a que os astronautas são expostos que a equipe chegou a conclusão que deveria criar algo que amenizasse a angústia da distância, para que os astronautas pudessem manter também em dia a saúde física. 

O capitão da equipe, o estudante Luciano Sampaio, 11 anos, conta que o grupo já pensava em trabalhar com realidade virtual e, durante as pesquisas, perceberam que atacar o social era mais relevante. Foi assim que eles criam o Projeto Teletransporte, um jogo que permitirá astronautas interagirem com pessoas na Terra. “Todos nós, juntos, tivemos vários cursos sobre realidade virtual, na internet, presenciais, e com isso já queria criar um jogo para ajudar o astronauta, mas não saiba sobre o que o jogo iria se tratar. Depois de várias entrevistas, com uma educadora física, aprendemos que não adiantava o astronauta ter o físico perfeito, mas o psicológico abalado. Tivemos ideia para que ele tivesse uma interação social com seus amigos e familiares, e, no caso, como utilizamos no jogo, com seu filho”, explica Luciano.

O garoto, apesar de jovem, já sabe por onde quer seguir profissionalmente e já contabiliza os ganhos, principalmente, pessoais, por participar de um torneio como esse. “Sinceramente, acho que nosso projeto é muito bom e que temos grandes chances de conseguir uma boa vaga lá e tenho uma grande expectativa. Acho que esse torneio pode me ajudar muito na minha vida, pois pretendo trabalhar na parte da engenharia mecatrônica e é por ai que se começa, pelo básico. E também pois lá não é só robótica que se aprende lá, se aprende muito mais, valores que você utiliza na vida, como o trabalho em equipe”, afirma o estudante.

A treinadora da equipe, Keila Costa de 28 anos, já participou do Torneio, no entanto, como jurada. Esta será a primeira vez que ela irá junto de uma equipe, como competidora. “Entrei aqui por meio de um convite para trabalhar com Lego. Abracei a causa, estudei muito, me dediquei muito tempo e foi a partir daí que passei a ser amante das pecinhas de lego”, lembra a instrutora de Robótica. Segundo Keila, muitos desafios surgiram pelo caminho, como a distância da cidade, a falta de especialistas próximos, mas nada foi capaz de parar o desejo do grupo de se superar. “Vamos para competir, porém vamos para nos divertir, vamos para aprender, conhecer pessoas , criar um network e estou muito feliz com essa oportunidade”, comemorou.

Ciência e tecnologia

O Torneio SESI de Robótica FIRST® LEGO® League é um programa internacional de exploração científica, projetado para fazer com que crianças e jovens de 9 a 16 anos se entusiasmem com ciência e tecnologia e adquiram habilidades de trabalho e de vida. Propõe que estudantes sejam apresentados ao mundo da ciência e da tecnologia de forma divertida, por meio da construção e programação de robôs feitos inteiramente com peças da tecnologia LEGO. A competição de robótica pode ser usada no ambiente escolar, mas não é projetada exclusivamente para esse propósito. Os jovens podem estar associados a uma escola, um clube, uma organização ou simplesmente ser formado por um grupo de amigos, desde que liderados por dois técnicos adultos. O SESI é responsável pela operação oficial do torneio no país.
 

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SOBRE

Camila Costa

Jornalista formada há 10 anos, foi repórter de política no Jornal Tribuna do Brasil, do Jornal Alô Brasília e do Jornal de Brasília. Por cinco anos esteve no Correio Braziliense, como repórter da editoria de Cidades. Foi repórter e coordenadora de redação na Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), vinculada à Presidência da República. Recebeu, por duas vezes, o Prêmio PaulOOctavio de Jornalismo e, em 2014, o Prêmio Imprensa Embratel/Claro 15° Edição. Hoje, Camila é repórter da redação da Agência do Rádio.

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