A paixão por aviões e o sonho de ser piloto. Esses dois motivos contribuíram para que Gabriel Hoffmann, de 21 anos, ganhasse as etapas seletivas escolar e estadual da WorldSkills, a maior competição de educação profissional do mundo. Agora, o aluno do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de Palhoça (SC) vai disputar uma vaga entre 57 competidores do SENAI na equipe brasileira na modalidade de manutenção de aeronaves. Esse pode ser o primeiro mundial de Gabriel, que vai ocorrer em agosto deste ano no Centro Internacional de Exposições KAZAN EXPO em Kazan, na Rússia. A delegação brasileira ainda aguarda a seleção de seis competidores do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), sendo 63 brasileiros ao total.
Então, caso Gabriel se junte à equipe brasileira, ele irá competir juntamente a outros 62 brasileiros, que terão um período de treinamentos para a etapa mundial a partir do dia 13 de janeiro, em Brasília (DF). Gabriel enaltece o apoio do SENAI e adianta que vai levar a competição a sério.
“Sobre o SENAI, tenho nem o que te falar. Porque desde o começo dão todo o suporte com treinador para a gente a treinar. A gente vê que não é um negócio de brincadeira, ‘ah, é só uma competição’. A gente está indo representar o nosso País, nossa escola, nosso estado e a gente. Isso agrega muito valor. Acho que não é nem a questão de ganhar medalha, é representar o nosso país, né? Mostrar para o pessoal lá de fora que a gente não vai para brincar.”
Rodrigo Campos, de 26 anos, é instrutor de Gabriel desde 2016 e deve ir com o competidor a Rússia como expert na manutenção de aeronaves. Ele tem experiência de sobra para ajudar o jovem, tanto que já foi campeão da WorldSkills por equipe em 2015, em São Paulo. Entre 2017 e 2018, ele chamou Gabriel para um serviço terceirizado de seis meses em aeroclubes e até no Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, para trabalhar com a manutenção de aviões e helicópteros. No sétimo semestre de engenharia de produção, Rodrigo treina o competidor oito horas por dia, de segunda a sexta-feira e comenta a evolução de Gabriel com essa parceria.
"O Gabriel foi uma pessoa que, em pouco tempo, eu vi grandes mudanças. Vi ele buscar mais as coisas. Ele era um pouco mais fechado. Então a parte da comunicação evoluiu muito também. Um dos fatores prejudiciais no WorldSkills é tu deixar o competidor muito mal-acostumado, sempre dando as informações pra ele. Aí mudou alguma coisa, e precisa buscar no manual aquela informação que ele não conhece, aí às vezes ele dá uma travada. É até um exercício, no nosso plano de ação, dele procurar essas coisas sozinho."
A WorldSkills é realizada a cada dois anos e reúne os melhores alunos de países das Américas, Europa, Ásia, África e Pacífico Sul para disputarem medalhas em modalidades de acordo com as profissões técnicas da indústria e do setor de serviço. Os jovens vão precisar demonstrar habilidades individuais e coletivas para concluírem os desafios de suas ocupações dentro de 6 horas. Durante os quatro dias do torneio, Gabriel e os outros competidores terão, no máximo, 22 horas para entregar o projeto feito. Em 18 participações, o Brasil já acumulou 136 medalhas. A melhor participação brasileira na história foi no ano de 2015, em São Paulo. Com 27 medalhas, a equipe ficou em primeiro no ranking por países.
Reportagem, Pedro Marra.