Educação - undefined·28 de janeiro de 2019

Aluno do SENAI do RJ em joalheria é finalista por vaga na maior competição mundial de profissões técnicas, na Rússia

<p>Victor Iglesias, 19 anos, compete em ocupa&ccedil;&atilde;o na qual estado j&aacute; levou medalhas na hist&oacute;ria da competi&ccedil;&atilde;o</p>

Por Agência do Rádio
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Por Pedro Marra

Entre os dias 22 e 27 de agosto começa a WorldSkills 2019, simplesmente a maior competição de educação profissional do mundo. E será a primeira vez que Victor Iglesias, de 19 anos, irá ao torneio. Ele representará a ocupação de joalheria pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) do Rio de Janeiro (RJ). Victor está em Brasília (DF) para um período de treinamentos desde o dia 13 de janeiro e vai buscar uma vaga na equipe brasileira durante a 45ª edição do torneio mundial em Kazan, na Rússia. O torneio ocorrerá na KAZAN EXPO, centro de exibições que recebe a competição e local onde a equipe brasileira vai dar o máximo com 57 competidores do SENAI e seis do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).

Victor durante etapa de desempate em Brasília (DF), na primeira semana de dezembro de 2018 / Foto: arquivo pessoal

O aluno da escola de Joalheria do SENAI-RJ já carrega uma tradição consigo. Isso porque o Brasil já foi campeão duas vezes da competição, em 2012 e 2015, com os cariocas Rodrigo Ferreira e Leonardo Fonseca, respectivamente. E Victor já possui experiência na área. Da metade de 2015 até o fim de 2016, o jovem foi menor aprendiz numa joalheria parceira do SENAI por cerca de um ano e meio. No ano passado, Victor começou a treinar para a Olimpíada do Conhecimento, quando conquistou o segundo lugar na etapa seletiva em Maceió (AL). No começo de dezembro de 2018, ele ganhou a etapa de desempate em Brasília.

"Eu sempre fui bem calmo. Acho que o mais importante é não se desesperar. Na minha área sempre vai dar alguma coisa de errado, sempre vai sair alguma coisa fora do seu planejamento. Nas duas provas eu tive problemas. Você busca na cabeça, pela experiência as formas de passar por cima desse contratempo", analisa Victor, satisfeito com sua capacidade de concentração e foco na hora da competição.

Ele lembra, também, como a experiência na área o ajudou na hora da etapa seletiva nacional. “Como eu trabalho numa empresa, na competição nacional, teve uma prova que eu tinha de fazer um anel, e eu já tinha feito esse tipo de anel na (minha) empresa que trabalha com muito anel e pulseira. Então isso já me ajudou bastante. Na hora da competição é uma prova para você mostrar as habilidades de serra, de soldagem e de acabamento”, relata.

A experiência que Victor carrega não é uma raridade para o SENAI. Isso porque a educação profissional impacta positivamente a vida de diversos jovens no Brasil. Em 2017, cerca de 80% dos estudantes que concluíram cursos técnicos foram inseridos no mercado de trabalho já no primeiro ano. De acordo com levantamento do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), o curso técnico é o caminho mais rápido para a inserção qualificada do jovem no mundo do trabalho e também uma opção para o trabalhador desempregado em busca de recolocação no mercado. Para se ter uma ideia, o salário de um profissional técnico pode variar entre R$ 8,5 mil e R$ 12 mil.

E é isso mesmo que resulta em forte potencial com a educação profissionalizante. “O Brasil tem sido representado pelo SENAI e pelo Senac, que tem as ocupações mais da área do comércio e serviços, e o Brasil fica sempre entre os primeiros colocados”, explica Rafael Lucchesi, diretor-geral do SENAI.

Victor (terceiro da esquerda para a direita) mostra, ao lado de colegas, medalha de prata que ganhou na etapa nacional, em Maceió (AL) / Foto: Firjan

Treinamentos

Para participar da WorldSkills, os competidores recebem todo o suporte necessário do SENAI, não só em Brasília. “Eles são treinados durante esse período que vão estar em Brasília. Temos mais centros de treinamento sem ser em Brasília. Temos um centro de treinamento em Porto Alegre (RS), em Joinville (SC), temos um em Belo Horizonte (MG), um em Belém (PA) e temos os três em Brasília (DF): Taguatinga, Gama e no Setor de Indústrias Gráficas. Esses 57 do SENAI serão distribuídos nesses centros, sendo que a maioria está em Brasília. Um vai para Belém, um para Porto Alegre e quatro profissões em Joinville”, explica o gestor do projeto Brasil Kazan, José Luis Gonçalves Leitão.

Ainda segundo o gestor, a fase de treinamento prevê alimentação, hospedagem e transporte local para todos os competidores. “A primeira questão é que eles têm que ter consciência do desenvolvimento técnico, de desenho técnico, de metodologia, medidas, interpretação de desenho, acabamento de produto, de processos. Tudo isso é trabalhado dentro das habilidades que cada uma das profissões tem”, complementa ele.

Conheça a WorldSkills

A WorldSkills é realizada a cada dois anos e reúne os melhores alunos de países das Américas, Europa, Ásia, África e Pacífico Sul para disputarem medalhas em modalidades, de acordo com as profissões técnicas da indústria e do setor de serviços. Geralmente, o projeto de construção desafiador é inspirado em algum ponto turístico do país/cidade sede da WorldSkills, com três módulos.

Os jovens competidores vão ter de demonstrar habilidades individuais e coletivas para concluírem os desafios de suas ocupações dentro de seis horas. Se ganhar uma vaga na equipe brasileira, durante os quatro dias de competição, Victor e os demais competidores terão, no máximo, 22 horas para entregarem o projeto. Em 18 participações, o Brasil já acumulou 136 medalhas. A melhor participação brasileira na história foi em São Paulo, em 2015. Com 27 medalhas, a equipe ficou em primeiro lugar no ranking por países.

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