Educação - undefined·30 de janeiro de 2019

Aluno do SENAI de Sapucaia do Sul (RS) representa escola em preparação para WorldSkills na Rússia

<p>Carlos Augusto, 20 anos, deve ir para o maior torneio de educa&ccedil;&atilde;o profissional do mundo. Ele compete na ocupa&ccedil;&atilde;o de instala&ccedil;&otilde;es el&eacute;tricas prediais.</p>

Por Agência do Rádio
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Por Pedro Marra

Quando Carlos Augusto viu um colega mexendo com algumas peças numa sala do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de Sapucaia do Sul (RS), despertou o desejo de fazer o curso de eletricidade predial. O jovem, hoje com 20 anos, se prepara agora para competir internacionalmente. Após ganhar as etapas seletivas da Olimpíada do Conhecimento, ele quer disputar,entre os dias 22 e 27 de agosto, a WorldSkills, nada menos que a maior competição de educação profissional do mundo.

O jovem representa uma cidade de mais de 130 mil habitantes e deve competir na modalidade de instalações elétricas prediais na KAZAN EXPO, local da competição em Kazan, na Rússia. A delegação brasileira será composta por 57 competidores do SENAI e seis do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).

 Lucas ganhou medalha de prata na etapa seletiva nacional em Campo Grande (MS) / Foto: arquivo pessoal

Antes de se classificar para a equipe nacional, ele passou pela etapa seletiva escolar contra oito colegas em 2016, quando foi campeão, durante a metade do curso técnico em eletricista de manutenção. No ano seguinte, o jovem ganhou a etapa estadual entre nove competidores de outras escolas do SENAI do Rio Grande do Sul. Aí veio a classificação para a delegação brasileira, no ano passado, quando Carlos levou o primeiro lugar. Desde o começo de janeiro, o competidor passa por um período de treinamentos em Brasília. Hoje competidor, o jovem lembra como despertou o interesse na área, lá em 2016.

“Quando eu comecei a cursar o curso (técnico de eletricidade predial), tinha um competidor de industrial que participou do nacional em 2017, no Maranhão. A sala dele ficava aberta sempre para o pessoal olhar, e eu passava todo dia para ir ao banheiro e olhava aquela sala do cara cheia de material, montando prova. Aí o professor Sidnei (expert de Carlos) perguntou ‘Tu gostou? Como é que tu achou?’. Falei ‘bá, foi tri massa isso aí. Como faz para eu participar?’. Daí ele ‘no meio do ano vou fazer uma prova’. Aí no mesmo dia eu já me candidatei. Eu comecei a fazer o terceiro módulo (do curso técnico) em julho, e eu fiz a prova. Eu passei e comecei a treinar em maio do ano seguinte. A gente aprende o comportamento, modo de fala e ética. Todo o principal para se tornar um cidadão mesmo”, diz.

O jovem fala sobre a importância de ter apoio e a oportunidade de evoluir em conhecimentos durante os treinos.

“Depois que eu comecei a treinar para a etapa nacional, foram muitas coisas novas. No estadual, tinha quase nada de programação. Aí para a etapa nacional era só programação. Tive que aprender programação, outros métodos de montagem, estrutura, corte, cálculos, entre outras coisas. E eu sou um cara que tem muito apoio da minha família, acho que o pilar principal para um competidor é ter alguém te apoiando. O pessoal da minha escola também, o diretor, coordenador, sempre perguntando se eu precisava de alguma coisa, algum material, se eu estou bem, se está puxado. Esse apoio sempre tem que ter”, comenta.

Depois que Carlos começou a treinar para a etapa nacional da WorldSkills, que ocorreu em Campo Grande (MS), foram sete meses de preparação intensa. Eram cerca de treze horas de treinamento, de segunda a sábado à tarde, e algumas vezes no domingo. “Foram treze estados participantes, e eu fiquei em segundo lugar na etapa nacional. Após três meses, vim para a etapa de desempate, em Brasília. Foi quando eu tirei 0,8 a mais que o competidor de São Paulo e consegui ganhar o primeiro lugar”, recorda.

Carlos ganhou a etapa de desempate, que ocorreu em dezembro de 2018, em Brasília (DF) / Foto: arquivo pessoal

Sidnei Serafim é professor de Carlos desde 2016 no curso de eletricidade predial. De lá para cá, ele acompanhou o jovem nas etapas seletivas da Olimpíada do Conhecimento. E agora os dois estarão juntos: Carlos como competidor e ele como treinador expert. "A gente treina de maneira separada cada tarefa até ficar craque naquela parcial. Porque, na prova, é a junção delas. Quando vai fazer a prova, muita coisa que ele treinou, vai bem", explica.

Para o professor, Carlos tem consigo duas características que podem ajudá-lo na Rússia: a tranquilidade e a capacidade de resolver problemas. "Externamente, para quem está olhando, ele está fazendo a prova de uma forma muito tranquila. Se eu pudesse apontar os pontos fortes dele te diria que um é a tranquilidade e outro a capacidade de resolver problema. Porque problema durante a prova acontece. A questão é o que ele faz para resolver aquele problema. A gente precisa de um competidor que resolva o que tem que ser feito. E essa é uma característica que eu enxergo nele desde 2017. É a tranquilidade e a capacidade de resolver problemas", analisa.

Treinamentos

O gestor do projeto Brasil Kazan, José Luis Gonçalves Leitão, explica como é feito o apoio aos competidores. “Eles são treinados durante esse período que vão estar em Brasília. Temos mais centros de treinamento sem ser em Brasília. Temos um centro de treinamento em Porto Alegre. Em Joinville, Santa Catarina, temos um em Belo Horizonte, um em Belém e temos os três em Brasília: Taguatinga, Gama e no Setor de Indústrias Gráficas. Esses 57 do SENAI serão distribuídos nesses centros, sendo que a maioria está em Brasília. Um vai para Belém, um para Porto Alegre e quatro profissões em Joinville”, diz.

Ainda segundo o gestor, a fase de treinamento prevê alimentação, hospedagem e transporte local para todos os competidores que estiverem no centro de treinamento, tanto em Brasília como Belém, Porto Alegre, Joinville e Belo Horizonte.

Conheça a WorldSkills

A WorldSkills é realizada a cada dois anos e reúne os melhores alunos de países das Américas, Europa, Ásia, África, e Pacífico Sul para disputarem medalhas em modalidades, de acordo com as profissões técnicas da indústria e do setor de serviços. Geralmente, o projeto de construção desafiador é inspirado em algum ponto turístico do país/cidade sede da WorldSkills, com três módulos.

Carlos e os demais jovens vão ter de demonstrar habilidades individuais e coletivas para concluírem os desafios de suas ocupações dentro de seis horas. Se ganhar uma vaga na equipe brasileira, durante os quatro dias de competição, Gabriel e os outros competidores terão, no máximo, 22 horas para entregarem o projeto. Em 18 participações, o Brasil já acumulou 136 medalhas. A melhor participação brasileira na história foi em São Paulo, em 2015. Com 27 medalhas, a equipe ficou em primeiro no ranking por países.

O grupo do Senai-RS, formado por 39 alunos, participou em 34 profissões. Após as seletivas, ganhou quatro ouros nas modalidades de Manutenção Industrial, Robótica Móvel, Tecnologia de Mídia Impressa e Mecatrônica; sete pratas em Instalações Elétricas Prediais, Refrigeração e Ar Condicionado, Jardinagem e Paisagismo, Design Gráfico, Pintura Decorativa, Carpintaria de Telhados e Tecnologia Automotiva; e três bronzes nas ocupações de Controle Industrial, Logística e Eletrônica.

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