
Por Camila Costa
Depois de muito treinamento, por vários meses, horas e horas por dia - inclusive aos fins de semana - o mineiro Nikolas Rezende Costa, 21 anos, é um dos 57 alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) finalistas por uma vaga na WorldSkills. A competição de profissões técnicas é a maior do mundo e desafia os jovens a mostrar toda a excelência que eles têm dentro de diversas áreas. Nikolas disputará um lugar no pódio pela ocupação de Escultura em Pedra.
A competição está marcada para agosto deste ano, no Centro Internacional de Exposições KAZAN EXPO em Kazan, na Rússia. É realizada a cada dois anos e reúne os melhores alunos de países das Américas, Europa, Ásia e África e Pacífico Sul para disputarem medalhas em modalidades que correspondem às profissões técnicas da indústria e do setor de serviço. Nikolas está na última etapa de treinamentos, em Brasília. Segundo ele, não foi fácil chegar até aqui. “O treinamento é bem pesado, como o nome diz é escultura em pedra e quebrar pedra não é fácil, mas minha maior dificuldade mesmo é só o tempo”, explica o jovem.
Nikolas se refere ao tempo de prova dado para cada profissão na hora da competição. O projeto que os participantes terão que desenvolver é surpresa. Há um desafio e ele precisa ser cumprido em quatro dias, em um prazo de no máximo 22 horas, a depender da área. Ao fim desse tempo, os projetos são avaliados e os resultados, anunciados.
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Segundo o gestor do projeto Brasil Kazan, José Luís Gonçalves Leitão, uma das dificuldades da competição é que os alunos não são avaliados apenas nos padrões do Brasil, mas também nos padrões mundiais. “Vão trabalhar tudo, o jogo é um jogo de tempo, cada uma das habilidades é trabalhada exaustivamente dentro dos padrões e eles são submetidos a vários testes, exercícios, durante esse período. A primeira questão é que eles têm que ter consciência do desenvolvimento técnico, de desenho técnico, de metodologia, medidas, interpretação de desenho, acabamento de produto, de processos. Tudo isso é trabalhado dentro das habilidades que cada uma das profissões têm”, detalha José.
A um passo do maior desafio que enfrentou até agora, Nikolas afirma que é preciso valorizar a oportunidade, pois muitos jovens gostariam de estar no lugar dele. “Sempre foi um sonho conseguir chegar onde cheguei , participar da WorldSkills, nunca imaginei que iria conseguir, mas com a ajuda dos meus treinadores, experts, professores, eu consegui com muita determinação também”, avalia.
Assim como impactou a vida de Nokolas, estudos mostram que a educação profissional impacta positivamente a vida de diversos jovens no Brasil. Em 2017, cerca de 80% dos estudantes que concluíram cursos técnicos no ano passado foram inseridos no mercado de trabalho já no primeiro ano. De acordo com levantamento do SENAI, o curso técnico é o caminho mais rápido para a inserção qualificada do jovem no mundo do trabalho e também uma opção para o trabalhador desempregado em busca de recolocação no mercado. O salário de um profissional técnico varia entre R$ 8,5 mil e R$ 12 mil.
Para o diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, o país tem potencial em educação profissional. “O Brasil tem sido representado pelo SENAI e pelo Senac, que tem as ocupações mais da área do comércio e serviços, e o Brasil fica sempre entre os primeiros colocados”, afirma.
