Por Marquezan Araújo
O setor industrial em Alagoas responde por cerca de 15% do Produto Interno Bruto do estado. A informação é da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Setores como construção, alimentos e químicos são os que mais se destacam. Ao lado de outros, esses segmentos representam 91,4% da indústria local.
O quadro da empregabilidade relacionado ao setor não foi tão favorável em julho deste ano. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a construção civil e os serviços industriais de utilidade pública mais demitiram do que contrataram no último mês.
Para o gerente-executivo de Estudos e Prospectiva da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Márcio Guerra, a situação poderia ser diferente se mais pessoas tivessem a qualificação necessária para assumir determinados postos de trabalho. Uma das críticas que ele apresenta é em relação à Educação Básica oferecida no Brasil.
Com base em estudo da CNI, Guerra afirma que a falta de qualidade na Educação Básica brasileira é um problema antigo e que atrapalha o ingresso do jovem no mercado de trabalho. “Apesar de a educação colocada hoje passar por uma possibilidade de reforma, ela ainda é pouco conectada com os reais problemas do mercado de trabalho”.
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De acordo com o estudo, que faz parte de um grupo de propostas apresentadas aos candidatos à Presidência da República para as eleições deste ano, o Brasil conseguiu praticamente universalizar o acesso ao Ensino Fundamental. Em 2015, por exemplo, 97,7% da população de 6 a 14 anos estava matriculada nesse nível de escolarização. Contudo, Guerra explica que isso ainda não é o suficiente.
“Nós tivemos um processo de universalização da educação do Brasil, mas quando olhamos as taxas de produtividade, percebemos que a educação não fez transformações na área, muito por causa da baixa qualidade que se tem”, disse.
Naquele ano, cerca de 1,5 milhão de jovens com idade entre 15 a 17 anos deveriam estar cursando essa etapa da formação educacional, no entanto, encontravam-se fora da escola.
Ensino Superior
Para o pesquisador do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB), Jairo Eduardo Borges, os cursos superiores e a educação técnica e profissional podem ser vistas como modalidades complementares. Ou seja, uma não anula a outra, mas sim, “há aqui uma junção da teoria e da prática que podem ser pontos determinantes na hora de conseguir um emprego”.
Porém, vistas de pontos separados, o professor ressalta que “pessoas que têm mais qualificação profissional, têm mais probabilidade de conseguir um trabalho e também de conseguir trabalhos melhores”. Ainda segundo ele, “ter um nível de escolaridade superior não vai necessariamente garantir emprego.”
Educação técnica e profissional
De acordo com dados expostos no último Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC), no Nordeste, meio milhão de pessoas procuram se especializar em alguma área através de um curso técnico ou de educação profissional.
Quem faz parte dessa lista é morador de Maceió, Uytalo da Silva. Ele tem 20 anos e, há seis meses, faz o curso técnico de Edificações, pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Já trabalhando como estagiário na área, ele diz que essa experiência é importante para conhecer a área antes de ingressar em uma faculdade. Além disso, ele vê essa modalidade de ensino como um salto no currículo e “algo que traz um conhecimento mais amplo em relação à área.”
A diretora de Educação e Tecnologia do SESI/SENAI de Alagoas, Cristina Suruagy, afirma que a educação técnica e profissional “tem que ser aplicada desde o Ensino Médio e lembra que a nova reforma já propõe isso.” Segundo a especialista, além de terem mais chances de ingressar no mercado de trabalho, os jovens que optam por esses cursos podem agregar o conhecimento adquirido ao que aprendem na faculdade, por exemplo.
A pesquisa divulgada pela CNI também revela que apenas 11,1% dos alunos do Ensino Médio estão cursando Educação Profissional. Embasada em dados do Centro Europeu de Desenvolvimento da Formação Profissional (CEDEFOP, 2017), a Confederação revela que em países com grande tradição nesse modelo, como Áustria e Finlândia, a taxa de jovens que cursam itinerários vocacionais é de cerca de 70%.