O nível de aprovação para substituir matérias tradicionais por profissionalizantes no ensino médio - entre jovens de 13 a 18 anos - passa de 60%. Na região Norte, por exemplo, a aprovação sobe para quase 65%. Os dados são de uma pesquisa feita no ano passado pelo Senai, que ouviu mais de dois mil jovens, em todas as regiões, sobre o novo ensino médio – que deve começar a valer já em 2021.
A estudante do último ano do ensino médio Letícia Félix, de 18 anos, faz parte dos quase 48% de estudantes que já fizeram ou pretendem fazer curso técnico ou profissional. Apesar de sonhar com alguma faculdade na área da saúde, como fisioterapia ou enfermagem, a brasiliense não descarta a possibilidade de fazer um curso técnico.
“Eu já pensei, sim, em fazer curso técnico. Minha mãe também fez para enfermagem, muitas vezes eu já pensei em fazer.”
Dos estudantes ouvidos, 51% pretendem fazer um curso técnico. Em 2015, o Brasil era o quarto país com mais dificuldade em preencher vagas de trabalho nesse setor. Era também o país com mais dificuldade em encontrar profissionais qualificados. Pela proposta da reforma, os alunos já sairiam do ensino médio com formação profissional. Para o deputado Angelim (PT-AC), o ensino profissional e técnico deve ser um dos pontos da reforma, mas com foco na educação como um todo.
“Nós temos que ter uma formação técnica consistente? Sim. É importante? Importantíssimo. Mas não em detrimento de fragilizar o ensino médio. Nós podemos fortalecer com qualidade a educação, o ensino médio, com uma formação humanista, técnica, preparando o aluno para o Enem, mas também para os embates da vida, como também ter um ensino técnico e profissionalizante de qualidade.”
Os estudantes ouvidos na pesquisa também se mostraram satisfeitos com a possibilidade de escolher quais matérias cursar, focando na área de interesse, com nível de satisfação de mais de 61%. A medida sancionada em fevereiro prevê que apenas língua portuguesa, língua inglesa e matemática serão disciplinas obrigatórias.
Reportagem, Jalila Arabi.