Por Camila Costa
Os dados sobre desemprego no estado do Acre revelam o que a população já sente na pele: o desemprego entre os jovens é grande. Os dados do segundo trimestre de 2018 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que a taxa de desocupados no estado é de 13,5%; e mais de dois terços deles são de jovens entre 14 e 24 anos (cerca de 75%). Lucas Mendes de Limas, de 21 anos, está desde fevereiro atrás de um emprego. A esperança é conseguir uma vaga de técnico em edificações, curso concluído por ele no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).
Lucas começou o curso em 2013, com 16 anos, quando ainda estava no ensino médio. A chance apareceu e ele agarrou. “Teve essa oportunidade e resolvi agarrar. Que era fazer um curso técnico concomitante com o ensino regular. A ideia era me formar no ensino médio regular e já ter uma profissão”, conta. O raciocínio do jovem é uma das propostas do setor produtivo para a agenda dos candidatos à presidência da República, de aliar o ensino profissional à educação básica.
A ideia é potencializar o ensino e criar mais oportunidades para os jovens no mercado de trabalho. Ao terminar o curso, Lucas logo conseguiu trabalho e ficou até o começo deste ano atuando como técnico em edificações, no entanto, o último contrato terminou há seis meses. “Vários amigos vieram me perguntar se era bom [curso técnico], disse que é bom, proveitoso, muito prático, aprende de verdade, de forma técnica, que é para um profissional diferenciado, para ser lapidado. Mas o fator principal é o incentivo. Ter alguém que lute pela classe da construção civil e do ensino técnico”, observa o jovem.

O tema está na lista de propostas entregue aos presidenciáveis pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O objetivo é incentivar o fomento da educação básica, em uma mudança na matriz educacional, por meio, entre outras coisas, da implementação da reforma do ensino médio. Para a especialista em gestão escolar Juliana Diniz, os tempos mudaram e a educação pede dinamismo e um ajuste às novas tecnologias.
“Nos parece que essa proposta traz um quê de modernidade, possibilitando que cada um dos alunos escolha determinadas habilidades e com isso tenha chance de melhorar a qualidade daquilo que se constrói, processo de escolha, o empoderamento desse aluno, o considerando pessoa de potência”, declara Juliana. Para a gerente de Educação Profissional do SENAI no Acre, Geane Reis, muitos jovens já têm percebido a importância do investimento em qualificação. “Apesar das dificuldades que a gente tem enfrentado, não diferente dos outros estados, a gente já começa a observar uma ‘crescente’ em relação à busca de qualificação profissional, pelos nossos alunos, até para se requalificarem, e serem reinseridos no mercado de trabalho. E também das próprias empresas desse segmento.”
Educação e elevação da produtividade
O setor da indústria tem apostado na defesa da educação para melhorar a competitividade e a produtividade de trabalho no Acre e no restante do país. O Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022, lançado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no início do ano, apresenta uma agenda para aumentar a competitividade da indústria e do Brasil, e para elevar o bem-estar da população ao nível dos países desenvolvidos.
Segundo o diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, é preciso melhorar o diálogo do país com a educação para os jovens. “A visão nossa, da Confederação Nacional da Indústria, vai muito nessa direção de estabelecer uma agenda que seja importante para a realidade brasileira, para os problemas que nós temos hoje de juventude no país. Nós temos um elevado grau de desemprego na população aberta, que está acima de 12%, mas entre os jovens, ele se aproxima de 30%. Então nós temos um grande contingente de jovens que é vítima exatamente dessa baixa capacidade de diálogo entre o nosso modelo educacional e as opções e projetos de vida dos jovens que passam pela escola”, afirma Lucchesi.
