Por Aline Dias
O número de acidentes de trabalho caiu, durante os últimos anos, em todo o Brasil. De 2008 a 2017, a taxa de incidência no país passou de 22,98 para 13,74 acidentes a cada mil vínculos empregatícios, de acordo com a Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda (SPrev). Em Santa Catarina, segundo o Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho de 2017 (AEAT), a redução foi de pouco mais de 6%, quando os acidentes de trabalho passaram de 38.748, em 2015, para 36.318, em 2017.

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Para o doutor em ergonomia e saúde e segurança ocupacional, Fernando Amaral, um dos motivos para a redução dos acidentes de trabalho é o comportamento das empresas, que têm investido, cada vez mais, na saúde e segurança do trabalhador. “A conscientização, hoje, é maior por parte das empresas. Elas têm uma preocupação já inerente, na maioria dos setores produtivos, de pensar mais no trabalhador, dentro do contexto de trabalhar com saúde e segurança”, destaca.
Uma pesquisa realizada pelo Serviço Social da Indústria (SESI) mostra que 71,6% das indústrias estão dando prioridade à gestão de segurança e saúde dos trabalhadores e que 76,4% dos entrevistados acreditam que o nível de atenção da indústria brasileira com o tema deve aumentar nos próximos anos.

Para ajudar as empresas a proporcionarem um ambiente saudável para o trabalhador, sem deixar de pensar no desempenho da empresa, o SESI de Santa Catarina oferece consultoria às indústrias do estado. O intuito é definir estratégias para melhorar a gestão da saúde do trabalhador e reduzir os custos com saúde.
De acordo com a engenheira de saúde do trabalho do Serviço Social da Indústria de Santa Catarina (SESI-SC), Amanda Barbosa, ainda é comum que as empresas entendam que saúde e segurança no trabalho é um custo desnecessário. No entanto, a engenheira ressalta que “o investimento vai gerar maior bem-estar para o trabalhador, gerando, mais adiante, uma economia com doenças que foram evitadas, além de um engajamento maior desse trabalhador, causando melhores resultados para a empresa”.
Propostas da Indústria
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) identificou e encaminhou aos candidatos à presidência uma série de propostas para a modernização previdenciária e da saúde e segurança do trabalhador. Entre as medidas está a inclusão de metas para fins de participação nos lucros e resultados das empresas.
Além disso, a CNI propõe a possibilidade do acesso à Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT) por meio eletrônico, para que a empresa consiga acompanhar o processo do afastamento, mesmo quando não emitida por ela. A CAT é emitida para comunicar um acidente de trabalho ou uma doença ocupacional.
Permitir que o serviço médico da empresa participe da perícia médica do INSS, realizada quando o trabalhador precisa se afastar, e ter acesso ao laudo emitido, também faz parte das medidas propostas.