Por Thiago Marcolini
Há 17 anos dentro da rede do Serviço Social da Indústria de São Paulo (SESI), a estudante Natália de Souza Domingues tem toda a vida de estudos proporcionada pela entidade membra do Sistema S. Ela ingressou no SESI aos 4 anos de idade, ainda na pré-escola, e permaneceu até concluir o ensino médio. No ano passado, 96 mil pessoas se matricularam no ensino básico da escola no estado de São Paulo.
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Ao término do ensino médio, Natália decidiu cursar Licenciatura em Matemática, na Faculdade de Educação do SESI. Surgida em 2015, a instituição foi uma das primeiras a oferecer licenciaturas por área do conhecimento em Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática.

A proposta da faculdade surgiu da necessidade de preparar mais os professores para o mercado de trabalho. Pesquisa de 2018 da Organização Não-Governamental Todos pela Educação aponta que 71% dos profissionais não estão satisfeitos com a formação inicial. Para eles, falta principalmente prática da profissão, como gestão de sala de aula e fundamentos e métodos de alfabetização.
Além da parte teórica, os estudantes têm ainda uma residência educacional em que acompanham na prática a rotina da sala de aula desde o primeiro semestre de curso. “Eu posso perceber como isso mudou minha visão de mundo. Como é importante para mim, como é fundamental esse modo de ensino da faculdade. A inovação da faculdade tem feito diferença não só na minha formação acadêmica, mas na minha formação pessoal”, diz Natália.
A Faculdade de Educação do SESI de São Paulo encerrou 2018 com 198 alunos. Em todas as unidades da entidade no estado, que abrange ainda as áreas cultura e de atendimento à empresas, são mais de 110 mil alunos.
“A faculdade se preocupa muito com a forma como nós estamos aprendendo o conteúdo, a maneira como nós estamos enxergando o mundo, enxergando a sociedade, enxergando a própria educação. A residência ela proporciona isso”, afirma Natália.
O coordenador do Centro de Políticas Públicas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Naercio Menezes, liderou um estudo sobre o desempenho da rede SESI e das demais redes de ensino, em 2017. Para ele, gestão e qualidade dos professores colocam a rede do SESI a frente das demais instituições de ensino.
“Seria importante para a sociedade se o SESI conseguisse transferir a tecnologia de gestão aplicada nas escolas que são bem-sucedidas para a rede pública, que atende muito mais alunos em todo o país. O que mais precisamos no Brasil é melhorar o aprendizado dos nossos alunos. Temos uma parcela muito grande dos estudantes que não sabem ler nem escrever mesmo no terceiro ano e que chegam no Ensino Médio com conhecimento muito ruim em Matemática", diz Naercio.
Corte de verbas
Em 2019 a história das entidades do Sistema S pode ser diferente. Isso porque a ideia do Governo Federal de reajustar as contas públicas tem o Sistema como um dos cortes previstos. A redução no valor do repasse anual já era anunciado antes mesmo do novo governo tomar posse.
O governo ainda não confirmou de quanto vai ser o corte, mas a redução no valor do repasse pode variar entre 30% e 50%.