Brasil - undefined·15 de outubro de 2018

“A empresa precisa dar ao trabalhador qualidade de vida”, afirma superintendente do SESI de PE

Por Agência do Rádio
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Por Paulo Henrique Gomes

Saúde e segurança no ambiente de trabalho são fundamentais para que os colaboradores de uma empresa se sintam valorizados e tenham condições para produzir mais. O superintendente do Serviço Social da Indústria (SESI) de Pernambuco, Nilo Simões, faz o alerta. “A empresa precisa dar ao trabalhador qualidade de vida, saúde e, de preferência, preventivamente. Por exemplo: você faz um exame de saúde que vai dar um diagnóstico e você tem um percentual de 10% de tendência a ser diabético. Então você poderá direcionar um tratamento, direcionar uma alimentação saudável”, defende.

E, ao que parece, as empresas pernambucanas estão se atentando cada vez mais para a questão de saúde e segurança no ambiente de trabalho. Segundo dados da Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda (SPrev), em 2013, a incidência de acidentes para cada mil trabalhadores no estado de Pernambuco foi de 14,87. Em 2017, o índice caiu para 12,01. Se fizermos uma comparação entre esses anos, a redução observada foi superior a 19%.

Acidentes de trabalho diminuíram cerca de 31% em Pernambuco

Ainda segundo a SPrev, o número de acidentes do trabalho registrados no estado em 2013 foi de 20.890. Já em 2017, foram 14.417. Isso significa uma redução de aproximadamente 31% na comparação entre os dois anos. De acordo com o advogado Rafael Rosset, que atua no setor trabalhista, independente da área de atuação, as empresas devem cumprir as normas relacionadas à saúde e segurança no ambiente de trabalho.

“Se você, por exemplo, trabalha em um escritório, você vai ter normas específicas que vão partir dos órgãos de regulamentação que vão dizer qual a iluminação que tem que ter naquele ambiente, qual que é o nível de ruído que tem que ter naquele ambiente, em relação aos odores. Segurança, por exemplo, até das tomadas. Tudo, basicamente tudo”, defende.

O superintendente do SESI de Pernambuco, Nilo Simões, explica que o órgão realiza um trabalho para difundir a importância da prática de ações voltadas para saúde e segurança no ambiente de trabalho e valorizem a questão. “A empresa muitas vezes não tem a informação. Tem a informação muitas vezes incompletas. Então nós, como SESI, estamos chegando nas empresas. Dando a informação às empresas. Estamos chegando próximo das empresas para que ela, ao tomar conhecimento, comece a ver a importância e a valorização disso”, afirma.

Produtividade

A mais recente pesquisa feita pelo SESI, entre outubro de 2015 e fevereiro de 2016 sobre o tema, com 500 médias e grandes empresas, mostra que 71,6% das indústrias ouvidas estão dando prioridade à gestão de segurança e saúde dos trabalhadores. Na opinião de 76,4% dos entrevistados, o grau de atenção da indústria brasileira com o tema deve aumentar nos próximos anos.

De acordo com o levantamento, 67,6% dos responsáveis pelas empresas citaram a perda de produtividade devido a ausências no trabalho como o principal impacto negativo relacionado a acidentes de trabalho e a problemas de saúde de trabalhadores. Para 43,6%, esses programas aumentam a produtividade no chão-de-fábrica e 34,8% apontam que tais ações reduzem custos.

O advogado Rafael Rosset defende que as questões de saúde e segurança no trabalho estão diretamente ligadas à produção das empresas. “O que nós temos hoje por parte dos empresários é uma visão muito mais aberta em relação ao tema na medida que eles enxergam que um trabalhador que trabalhe em um ambiente seguro, ele vai ser muito mais produtivo. Então não existe um conflito, na verdade, entre a implementação das normas do ambiente de trabalho e o núcleo da empresa. Porque quanto mais seguro o trabalhador, mais satisfeito ele estará e mais produtivo ele será”, disse.

Propostas da Indústria

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), em estudo que contém propostas para os candidatos à presidência da República, defende que são necessárias reformas na Previdência, que vão além da alteração da idade mínima e das regras de acesso à aposentadoria. Segundo a CNI, há uma importante agenda, associada à reformulação da gestão do sistema de concessão de benefícios previdenciários e acidentários de normas previdenciárias e de segurança e saúde no trabalho.

Para a entidade, é necessário realizar uma reforma de temas de segurança e saúde no trabalho e sistema de concessão de benefícios para estimular à prevenção de agravos e de afastamentos do trabalho, e criar condições para o retorno das pessoas a uma vida profissional plena.
 

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