Saúde - undefined·21 de janeiro de 2019

#39 Pausa para Saúde: Práticas Integrativas do SUS

Por Agência do Rádio
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Inspire e expire. Relaxe. Está na hora de mais um Pausa para Saúde. E hoje estamos em um clima diferente, mais tranquilo e cheio de equilíbrio. Afinal, eu Aline do Valle e o querido Janary Damacena vamos falar das Práticas Integrativas do Sistema Único de Saúde. Vamos pro ritmo?
Essas práticas chegaram à rede pública de saúde em 2006 quando o Ministério da Saúde aprovou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. Atualmente, são 27 práticas disponíveis no SUS e que ajudam na prevenção de doenças, na promoção da saúde, além de aliadas no tratamento de diversas doenças.
Só de ouvir a gente fica mais relaxado, não é verdade? E a boa notícia é essas práticas já estão em 78% dos municípios brasileiros.  
E olha só que legal, Aline: em 2017 quase um milhão e meio de pessoas foram beneficiadas com essas práticas. Hoje nós vamos falar de três delas: acupuntura, automassagem  e tai chi chuan.  E, claro ninguém melhor para falar do assunto do que o médico acunputurista que coordena as ações de Tai Chi Chuan em uma das Unidades Básicas de Saúde do Distrito Federal. Aristen Woo. Olá, muito bom ter você coma gente aqui no programa.
“É um prazer estar aqui com vocês”
Que isso, o prazer é todo nosso. E aí, doutor, vamos falar um pouquinho das práticas integrativas do SUS e o senhor fala aqui da área que o senhor domina mais. Como que o senhor tem visto a aplicação dessas práticas integrativas aí na sua realidade? Conta um pouquinho pra gente.
“Eu trabalho numa Unidade Básica de Saúde que é muito especial porque ela é um centro de referência em práticas integrativas. Então lá nós contamos com acupuntura, homeopatia, fitoterapia e as práticas coletivas de tau chi chuan, automassagem, lian kun, e outras assim. Bom todas essas são práticas da medicina tradicional chinesa. A acupuntura – a maioria das pessoas conhece pelo menos de imagem da televisão – que é a utilização das agulhas em áreas especiais do corpo pra produzir um determinado efeito. E as pessoas aceitam bem as práticas. Tem uma demanda grande...Muita gente quer fazer quer se submeter à acupuntura e, na a maioria das vezes tem o resultado que almeja”
E conta um pouquinho pra gente então de que forma a acupuntura é aplicada lá na unidade básica de Planaltina.
“Como a demanda é muito grande, como eu falei antes, a gente tem destinado a utilização dessa técnica para os casos de dor crônica. Então, por exemplo: uma senhora quer fazer acupuntura por conta de uma dor no ombro e a gente tá no meio do atendimento já agendado previamente, todos os dias ocupados, preenchidos. Mas a gente acholhe e orienta a fazer a automassagem com a gente. E aí, abrindo vaga – geralmente no fim do mês  - ela já inicia as sessões de acupuntura. Muitas vezes elas chegam já falando que melhoraram com a automassagem :  “- Ah, eu cheguei aqui que nem conseguia escovar o cabelo e agora eu já tô conseguindo!” . E aí chega pra acupuntura com meio caminho andado. Então é bastante recompensador essa associação entre a acupuntura e as outras práticas.
Que legal! E a automassagem e tai chi chan? Todos têm a mesma finalidade – diminuir dor ou tem outro objetivo?
“São os objetivos maiores, mais amplos – por assim dizer – desde a prevenção de quedas. Há bastantes pesquisas relacionando o tai chi chuan com a diminuição da incidência de queda – principalmente em idosos. Pessoas ansiosas, com dificuldade de dormir também encontram alívio nessas práticas. Ou pessoas que querem simplesmente fortalecer a saúde. Não estão com nenhuma queixa naquele momento, mas sabem que é necessário fortalecer a saúde, cuidar do organismo, da mente pra ter uma vida mais satisfatória no futuro”.
E a automassagem – que o senhor mencionou mais cedo? Qual a finalidade?
“A auto massagem utiliza  a mesma teoria tradicional da acupuntura. Então são os meridianos e os pontos também usados acupuntura clássica chinesa. Então a pessoa vai estimula ros pontos do próprio organismo. Então usa lá o dedão, um ponto na mão e massageia, massageia, massageia...Então a gente faz essa prática em conjunto. L á na unidade que eu atendo lá em Planaltina esses grupos de automassagem chegam até 120, 130 pessoas fazendo ao mesmo tempo. E muitas vezes é o momento não só da autoamsagem, mas como aqui é o Brasil – e as pessoas são alegres e conversam – então, ao mesmo tempo que estão fazendo automassagem elas estão  trocando receitas, comentando sobre o casamento do filho, a escola do neto e outras coisas assim. Então se produz saúde não apenas pela técnica em si, mas pela mobilização do grupo, mobilização da sociedade.
Ou seja, saúde pra todos os lados. E a gente só falou de três práticas aqui. Ainda sobram 24! E no final do programa a gente vai falar onde você encontra quais são elas e como você tem acesso. Então fique ligado.
E, Aline. A gente traz uma experiência aqui. É a dona de casa Elizama Fernandes que conversou com a Tv Saúde a respeito dos efeitos positivos do tai chi chuan.  O depoimento dela é tão relaxante que vem até com trilha sonora.
“Eu fico menos ansiosa, controla melhor me diabetes e eu durmo muito bem: excelentemente bem. E a arritmia que eu tinha constante, hoje eu nem sinto”.
Agora doutor Aristen, pra falar pra quem não conhece ainda as Práticas Integrativas ou tem algum preconceito e acabam falando que essas práticas estão envolvidas em misticismo, que não são medicina...E aí? Conta aí agora como médico como que essas práticas realmente ajudam a nossa saúde.
“É. Todas essas práticas chegaram com essa áurea de misticismo, de uma coisa mágica, exotérica e tudo mais. E por isso a introdução delas de uma maneira formal na rede foi muito lenta. Mas o pessoal foi vendo que de fato aquilo funcionava: coloca a agulha naquele ponto e a pessoa diminuía a sensação de dor. Por quê? Por quê? E aí esse questionamento levou-se a investigação do que que está acontecendo do ponto de vista da fisiologia humana, da biologia, da neurologia. Quais são os caminhos que fazem com que aquela espetada ada agulha produza aquele efeito. E aí foram abrindo novos campos e essa pesquisa levou à abertura e novos campos dentro da ciência médica... Do ponto de vista do tai chi chuan: “é uma dancinha, é uma ginástica. Por que que isso é diferente de uma ginástica calistênica de uma academia?” Então, a lentidão dos movimentos é um exercício pra mente estar mais focada, estar mais concentrada naquilo que está fazendo naquele momento, naquele lugar. E também como os movimentos são lentos, então se exige que a musculatura, as articulações e os osso trabalhem de determinada maneira. E muitos estudos foram feitos relacionando a prevenção de quedas e verificaram que as pessoas que praticam tai chi chuan elas tanto têm melhor equilibro quanto têm menos medo de cair. Então são dois fatores que justificam essa diminuição da incidência de quedas”.
Tem muitos outros resultados. Mas o tempo não permite que falemos das 27 práticas.
Mas a gente não vai embora sem antes darmos dicas para que você tenha acesso à essas práticas.
E quem vai dar essas dicas pra gente é o coordenador das Práticas Integrativas do departamento de Atenção Básica aqui do Ministério da Saúde, Daniel Amado. E aí? De que maneira que a população tem acesso a essas práticas? Qualquer pessoa pode aproveitar esses benefícios?
“Então, a gente tem algumas práticas que são mais de promoção da saúde que elas são práticas mais abertas no serviço que são demanda espontânea. Então é só a pessoa chegar no serviço onde tem essas práticas. Algumas práticas são realizadas pelo médico, pelo enfermeiro da unidade, ou são encaminhadas para outros serviços especializados. Então pra isso ele precisa de uma indicação. Como ainda não são todos os municípios que tem essas práticas, nem todos os serviços. É importante o usuário ir na unidade saber se tem na sua unidade de saúde ou procurar a Secretaria Municipal de Saúde para saber se está disponível essa oferta”.
Então, fica aí a dica. E se na sua cidade esse tipo de prática ainda não chegou, fique tranquilo. A ideia do Ministério da Saúde é alcançar todo o país. Mas hoje, por hoje é só. Você pode descobrir mais do assunto no Blog da Saúde. É só digitar: blog.saude.gov.br.
E com esse último lembrete a gente chega ao final desta edição do Pausa para Saúde. Para você que nos ouve, um ótimo restante de semana. E se você quiser ouvir outros programas e acompanhar nosso Podcast de perto é só ficar e olho nas nossas redes sociais. Facebook.com/minsaude e pelo twitter, @minsaude.
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