Já ouviu falar de estomias? Sendo sua resposta sim ou não, fique ligado porque no Pausa para Saúde de hoje vamos conversar mais a respeito do dia a dia de pessoas ostomizadas que somam cerca de 400 mil brasileiros. E hoje, no nosso estúdio está bem feminina. Eu Aline do Valle apresento o programa ao lado da Débora Rocha e com convidadas pra lá de especiais que já já a gente apresenta pra vocês. E, claro, não podemos esquecer do nosso Fabrício Lázaro que cuida de todos os detalhes técnicos do estúdio. Vamos lá? E aí, Débora?
As ostomias, Aline são aberturas artificiais feitas em procedimentos cirúrgicos que auxiliam na comunicação de uma parte de dentro do corpo, com o lado externo. O mais conhecido é a colostomia – uma bolsa colocada no abdômen para auxiliar na eliminação de gases e fezes. Mas as ostomias recebem diferentes classificações e quem explica mais pra gente é a Karina Guimarães, membro da equipe de Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde.
“Quando a gente fala de estomia as pessoas acham que é só a parte de eliminação. Mas estomia ou estoma serve tanto para alimentação, respiração e eliminação. A eliminação de fato é que hoje tenha a eliminação de fezes e urina, e tem a parte de alimentação que é onde fica a passagem de alimentos – a gente vê muito em UTI - mas também tem no paciente internado em casa. E também a parte de ventilação que é a traqueostomia. Então tem essas três vias de acesso”.
Acontece que em grande parte dos casos, Débora, as pessoas que passam por esses procedimentos cirúrgicos precisam conviver com o preconceito. E a gente conversa agora por telefone com a Ana Paula Batista. Ela tem uma bolsa de ileostomia há onze anos. E só pra você entender: a ileostomia é quando um buraquinho na barriga conecta o intestino delgado ao exterior - há onze anos. E tem mais: ela representa os Ostomizados no Distrito Federal, como presidente da associação e também é vice-presidente da Associação Brasileira de Ostomizados. Ana Paula fala um pouquinho pra gente da sua ostomia e se você já sentiu alguma interferência no seu cotidiano.
“A ileostomia é um tipo de ostomia onde o fluxo de fezes sai mais líquido. É difícil gente ter um controle desse tipo de ostomia específico do que da “colo” [colostomia]. Bom nós sentimos – eu vou falar por mim, mas é um reflexo de todos os Ostomizados na verdade. Como ostomizada a gente sente interferências em todo o cotidiano e inclusive na sociedade. E a gente sofre muitos preconceitos, a gente passa várias dificuldades na rua com a bolsinha, ela pode estourar, a gente pode ficar sujo. As pessoas não conseguem, no nosso caso, voltar ao trabalho porque não somos bem aceitos. Porque tem várias questões que estão acompanhando a ostomia. Várias dificuldades que a gente tem de voltar a ser inserida na sociedade”.
E é exatamente por essa dificuldade de inserção na sociedade que o apoio tanto dos profissionais de saúde quanto dos familiares é fundamental. E, claro, o apoio de quem já conhece de perto a história faz a diferença. A Ana Paula, por exemplo, vê na ostomia uma segunda oportunidade de vida. E já deixa um recadinho aqui:
“O que eu gostaria de passar para essas pessoas, que a gente chama de família dos Ostomizados – temos uma média de 400 mil Ostomizados no Brasil – de qualquer forma pensem que a ostomia foi um presente de Deus. Porque todo mundo que é acometido a uma ostomia é porque houve a necessidade dessa intervenção cirúrgica pra ter uma segunda oportunidade de vida”.
E falando em segunda oportunidade, Débora. A publicitária Thaís Amorim de 25 anos uma pessoa muito pra cima, ativa, alegre e ostomizada acredita que a bolsa coletora com a qual convive hoje é um símbolo de vitória.
A história da Thaís começou em uma complicação durante um procedimento para curar uma endometriose. Ela teve o intestino perfurado, infecção generalizada e precisou ser submetida a uma cirurgia de emergência. E a ostomia foi a forma que os profissionais encontraram para salvá-la.
E com todo esse histórico, ela acabou desenvolvendo uma relação dupla, digamos assim. Mas a gente já falou muito, né? Vamos ouvir o depoimento da Thaís.
“ E quando eu saí da sala de cirurgia, depois que eu voltei a mi foi um choque. Então é tipo amor e ódio: é uma história de amor e ódio. Porque quem coloca a bolsa, assim, você passa muitos constrangimentos com a bolsa, é muito difícil a adaptação. Mas realmente, o sentimento de gratidão ele vem porque se ela não estivesse ali talvez eu não estaria aqui. Então é meio que um processo diário de aceitação da bolsa – você tem que se aceitar, aceitar seu corpo está e como ele é hoje. Eu tô passando por um processo de adaptação inclusive com acompanhamento com psicólogo porque não é fácil. Você olha no espelho você não vê aquilo que você estava acostumada a ver. Você sai na rua, você tem que sair quase como uma criança – cheia de sacola, de troca emergencial, cheia de coisa, né? Então a vida realmente muda. Então você fica sempre num processo de ódio e sentimento de gratidão”.
A Thaís, diferente da Ana Paula, não ficará com a bolsa para o resto da vida. Ela passará por um procedimento de reconstrução. Mas em ambos os casos, o apoio de familiares e amigos é fundamental. E além disso, todo mundo que passa pelo processo de alguma ostomia, não pode deixar o acompanhamento profissional de lado. Os serviços de atendimento começam nas Unidades Básicas de Saúde, passa pela assistência especializada – hospitalar e chega também ao domicílio.
Vale lembrar, Débora, que aqueles todos que têm alguma estomia devem estar atentos aos direitos garantidos pela Portaria 400 de 16 de novembro de 2009 que dispõe de orientações gerais para o serviço de atenção à saúde das pessoas ostomizadas. E a Karina Guimarães que é da equipe de Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde, conta pra gente como funciona o apoio ao ostomizado pelo Sistema Única de Saúde.
“Hoje existem serviços que são credenciados nos estados então s ea pessoa estiver preciansdo de um atendimento, ela deve procurar as secretarias estaduais ou municipais que ela têm o geralmente o credenciamento so serviço do setor. A gente tem centros especializados de reabilitação que tem acolhimento para essas pessoas ostomizadas. Mas a porta de entrada pro ostomizado – a rede de atenção à saúde- ele engloba tanto a questão básica, quanto a especializada – hospitalar – e também a parte de atenção domiciliar. Hoje a parte de atenção domiciliar tem as equipes de saúde que fazem visita em domicílio e que fazem inclusive a troca de sondas, das cânulas, do cateter que são utilizados em pacientes gastrostomizados, pacientes colostomizados e urosomizados”.
Obrigada, Karina. E a gente aproveita para agradecer também à Ana Paula Batista e à Thaís Amorim que compartilharam um pouquinho das experiências. A gente espera que você tenha aprendido ou relembrado o conceito de estomia. E é isso, Aline?
Isso mesmo Débora. O Pausa para Saúde desta semana fica por aqui. Quarta-feira que vem tem mais! E a gente espera você. Ah! Não deixe de acompanhar esse e outros conteúdos da nossa WebRádio no site saude.gov.br e nas nossa redes sociais Facebook.com/minsaude e Twitter @minsaude. Débora, foi um prazer ficar hoje aqui com você. Volte mais vezes, viu?