Estamos falando de anemias. No episódio anterior falamos da carência ou ausência de ferro, que causam as anemias carenciais. A nossa convidada, a hematologista Flávia Xavier nos deu o seguinte alerta:
“Nem toda anemia você trata repondo o ferro. E nem em toda anemia que você repõe o ferro ele é absorvido”.
Exato. Pensar que o ferro é a única preocupação que precisamos ter é perigoso. Isso porque existem anemias que são resultado de inflamações ou doenças crônicas que podem até mesmo estar disfarçadas. O que fazer nesses casos, doutora Flávia?
“Então, a anemia da doença crônica ela é uma anemia que no exame de sangue geralmente vem com o VCM – que é o tamanho da hemácia e o HCM – que é a cor da hemácia normais. Por isso que é importante quando você faz a investigação da anemia você não só dosar o ferro do sangue. Se você dosa só o ferro do sangue e não dosa o ferro do estoque ou o ferro que está ligado na proteína que transporta o ferro, você fica com a falsa sensação de que é uma ferropriva. E na verdade não é. Porque tanto o bloqueio inflamatório, quanto a falta de ferro real baixam o ferro do sangue”.
Mas você deve estar se perguntando: qual a relação entre inflamações e anemias?
Acontece que no processo inflamatório algumas substâncias produzidas no nosso organismo fecham a passagem de ferro do corpo. É como se os canos que “entregam” o ferro para o sangue estivessem obstruídos. E aí, a gente não consegue acessar o ferro que está guardado ali. E acabamos ficando sem.
Então daqui pra frente, fique atento: inflamações podem contribuir para que seu corpo desenvolva algum tipo de anemia. E tem mais uma alerta. Quem nos ajuda é a hematologista.
“De novo: dentro das doenças crônicas ou inflamatórias, vale lembrar de novo das neoplasias. Então sempre que a gente não tem uma causa bem determinada do que está acontecendo é interessante fazer avaliação de neoplasia oculta no paciente”.
E cuidado: quando as anemias não são tratadas de forma adequada, o corpo inteiro sofre e as consequências podem varias de fraqueza a danos neurológicos permanentes. Por isso, fique ligado no próximo episódio e descubra quais as consequências de uma anemia negligenciada.