Política - Covid-19·18 de agosto de 2020

Prefeitos médicos tem melhor desempenho contra Covid-19

Desempenho eficaz de prefeitos com formação em medicina tem se tornado evidente durante a atual pandemia causada pela Covid-19

Por Janary Bastos Damacena
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A informação de que um gestor público, no caso o prefeito de uma cidade, tem formação em medicina fica mais evidente em momentos como na atual pandemia causada pela Covid-19 em todo o mundo. E isso porque o conhecimento obtido pelo exercício da profissão, aliado ao cargo de gerenciar um município, faz com que seja esperada uma atuação mais eficaz contra a doença.

Por isso, o portal Brasil 61 fez um cruzamento para ver como está a situação dos municípios gerenciados pelos 276 prefeitos brasileiros que declararam à Justiça Eleitoral que são médicos. De acordo com os números, 210 desses gestores conseguiram registrar taxas de mortalidade pelo coronavírus inferiores à média nacional, que é de 3,3%. Os dados foram baseados nos boletins epidemiológicos disponíveis nos dias 7 e 8 de agosto.

Além disso, 202 municípios governados por prefeitos médicos têm uma incidência da doença menor do que o número referente a todo Brasil, que é de 1.444 casos confirmados a cada 100 mil habitantes. No número de mortes em relação ao número de habitantes, 233 dos 276 municípios governados por médicos tiveram resultados melhores do que o número nacional.


De acordo com o presidente da Frente Parlamentar Mista da Medicina, deputado federal Hiran Gonçalves (PP-RR), essa evidência de que, em sua maioria, os prefeitos médicos tiveram um resultado acima da média brasileira, é um reflexo do conhecimento adquirido pela profissão e na gestão pública.

“Eu acredito que esse resultado se deve por conta do conhecimento que os médicos têm do Sistema Único de Saúde. Uma vez que sem o SUS, mesmo com todas as suas dificuldades, nós teríamos sofrido mais. E os administradores médicos, como eles tem conhecimento desse sistema, principalmente na Atenção Básica, conseguiram ter esse resultado”, explicou o parlamentar.

Secretarias estaduais de saúde lança pesquisa que pode contribuir na gestão orçamentária do SUS

Vale ressaltar que só são contabilizados os casos confirmados, ou seja, pessoas que fizeram testes. Isso pode diminuir nos dados o número de casos no interior. Os dados também podem ser influenciados pelo fato de existirem muito mais municípios pequenos do que municípios grandes, uma vez que é natural ter uma propagação reduzida da Covid-19 nos municípios menores. Também não entraram na pesquisa prefeitos que, apesar de médicos, não declararam a profissão à justiça eleitoral. Alguns podem ter se declarado como servidores públicos, por exemplo.

Para o coordenador da Câmara Técnica da Atenção Básica do Conselho Nacional de Saúde, Moyses Toniolo, é relevante que a sociedade saiba que nestes lugares, onde a gestão municipal está ocupada por pessoas da Medicina e outras áreas da saúde, os resultados no enfrentamento da epidemia sejam melhores.
“Além disso, é importante termos profissionais dessas áreas ocupando Secretárias Estaduais e Municipais de Saúde, o que ajudaria ainda mais a sociedade a obter destes gestores uma visão privilegiada sobre processos de Vigilância Sanitária e Epidemiológica, portanto com medidas de restrição e isolamento social diferenciados”, afirmou Toniolo.

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SOBRE

Janary Bastos Damacena

Com formação em jornalismo e pós-graduação em linguística, Janary Damacena se especializou em Narratologia e no Storytelling para reportar notícias. Com participação em redações de jornais impressos, revistas, rádios, televisão e assessorias de imprensa; alguns de seus trabalhos mais marcantes foram realizados em lugares como a Agência do Rádio Brasileiro, Rádio Nacional, Jornal de Brasília, Agência Rádio Web, Jornal Tribuna do Brasil, TV Educativa, Presidência da República, Ministério da Saúde, Revista Plano Brasília, Agência Gralha Comunicação e Vídeo e Organização das Nações Unidas (ONU).

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