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LOC.: A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda pode provocar uma perda bilionária para os municípios brasileiros. O alerta consta em estudo divulgado pela Confederação Nacional de Municípios, a CNM.
De acordo com o levantamento, a medida pode retirar cerca de NOVE BILHÕES E MEIO DE REAIS por ano dos cofres municipais.
O impacto ocorre de duas formas. A primeira é na arrecadação própria das prefeituras, já que, com a nova faixa de isenção, mais servidores municipais deixarão de pagar o Imposto de Renda retido na fonte.
A segunda atinge o Fundo de Participação dos Municípios, o FPM, que é abastecido, em parte, com recursos do Imposto de Renda. Se a arrecadação federal cai, os repasses ao fundo também diminuem.
Do total estimado de perdas, QUATRO BILHÕES E NOVECENTOS MILHÕES DE REAIS estão relacionados à arrecadação própria do imposto. OUTROS QUATRO BILHÕES E SEISCENTOS MILHÕES dizem respeito à redução nos repasses do FPM.
Para se ter uma ideia, apenas os municípios de Minas Gerais teriam um impacto acima de UM BILHÃO DE REAIS. Na Bahia, as prefeituras deixariam de receber cerca de SETECENTOS MILHÕES.
A nova regra, em vigor desde 2026, garante isenção para quem ganha até CINCO MIL REAIS por mês e prevê redução gradual do imposto para rendas de até SETE MIL TREZENTOS E CINQUENTA REAIS.
O governo federal afirma que a perda de arrecadação será compensada com a retomada da tributação sobre lucros e dividendos. A alíquota será de DEZ POR CENTO para valores acima de CINQUENTA MIL REAIS mensais.
O especialista em orçamento público Cesar Lima avalia que ainda não há garantias de que essa alternativa compensará integralmente as perdas municipais.
TEC./SONORA: Cesar Lima, especialista em orçamento
“Não existe na legislação atual um mecanismo que obrigue a União a fazer uma complementação direta no FPM para cobrir perdas decorrentes de mudanças em alíquotas ou faixas de isenção. Também não há comprovação de que a tributação adicional de 10% sobre rendas acima de R$ 50 mil mensais será suficiente, especialmente considerando a possibilidade de planejamento tributário para reduzir essa incidência.”
LOC.: Para a CNM, essa perda é generalizada entre todos os portes populacionais e Unidades Federadas. A estimativa é de que mais de MIL E SETECETOS municípios vão perder recursos financeiros. Desse total, mais de MIL E DUZENTOS contam com população inferior a CINQUENTA mil habitantes.
Reportagem, Marquezan Araújo