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LOC.: O governo federal publicou, na última quinta-feira (19), uma Medida Provisória, que endurece a punição para o descumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas. A iniciativa busca ampliar a proteção aos caminhoneiros diante da alta do diesel e reduzir o risco de paralisações.
No entanto, a Confederação Nacional da Indústria, a CNI, avalia que a medida é inadequada e pode prejudicar a competitividade e o desenvolvimento econômico do país. Segundo a entidade, a MP está diretamente relacionada à Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas. Para a CNI, esse modelo de tabelamento é frágil, pouco confiável e não reflete a realidade das empresas.
O especialista em Infraestrutura da CNI, Ramon Cunha, vê com preocupação a associação entre o aumento da fiscalização do frete e o atual cenário geopolítico.
TEC./SONORA: Ramon Cunha, especialista em Infraestrutura da CNI
“A CNI acredita que a associação entre a fiscalização do frete e o momento geopolítico atual pode produzir interpretações indevidas, afetar a segurança jurídica e induzir um ambiente de incerteza para agentes econômicos que atuam em estrita conformidade com a legislação vigente, com efeitos diretos sobre a indústria e a economia brasileira.”
LOC.: Como alternativa, a CNI defende que a aplicação de penalidades seja precedida por uma revisão da metodologia do tabelamento do frete. A entidade propõe que esse processo seja conduzido com base em critérios técnicos e transparentes, com ampla participação da sociedade civil organizada.
Na tentativa de conter o aumento dos combustíveis, o governo federal adotou uma série de medidas, como a isenção das alíquotas de PIS e Cofins sobre a importação e a comercialização do diesel, a fiscalização contra preços abusivos e a autorização de subvenção econômica para a comercialização do combustível.
Segundo Ramon Cunha, enquanto os impactos dessas iniciativas não se refletem nos preços, outras medidas paliativas, embora não triviais, continuam em discussão.
TEC./SONORA: Ramon Cunha, especialista em Infraestrutura da CNI
“A possibilidade de redução de ICMS pelos governos estaduais pode suavizar, ainda que parcialmente, o impacto dos choques externos sobre os caminhoneiros, as atividades produtivas nacionais e os consumidores finais.”
LOC.: A CNI avalia que os efeitos esperados das medidas emergenciais adotadas pelo governo ainda não foram plenamente percebidos nos postos de combustíveis, o que mantém a pressão sobre os custos logísticos e os preços ao consumidor.
Reportagem, Paloma Custódio