Foto: Angélica Cordova
Foto: Angélica Cordova

Na palma da mão: cerca de 70% da população já acessou algum serviço público por meios digitais

Mais de 3,5 mil serviços públicos estão digitalizados


Entre os países das Américas, o Brasil é o que lidera o ranking de serviços governamentais oferecidos de maneira digital. Dá para consultar documentos, fazer operações relacionadas ao FGTS, abono salarial e INSS, além de fazer a declaração de imposto de renda. Ao todo, 74% dos serviços públicos oferecidos no Brasil já estão disponíveis em meio digital, pela plataforma de acesso Gov.br. São cerca de 3,5 mil serviços, desses 1,6 mil foram disponibilizados nos últimos três anos. 

“A pandemia acabou acelerando o processo, caso contrário, a população teria ficado sem acesso a muitos serviços”, reconhece o diretor de serviços públicos digitais do Ministério da Economia, Luiz Miyadaira. O diretor diz que agora corre contra o tempo para disponibilizar os cerca de mil processos que ainda são passíveis de digitalização e melhorar a experiência do usuário cidadão. “Só não será digitalizado o que não for possível, como uma vacina ou uma vistoria”, diz. 

O Brasil é o quarto país do mundo no que diz respeito ao acesso à internet, com 152 milhões de usuários. Miyadaira acredita que a população rapidamente se acostumou a acessar os serviços digitais. Só em fevereiro, foram 250 milhões de acessos à plataforma Gov.br, que já conta com 127 milhões de usuários, cerca de 80% da população adulta brasileira. 

O aposentado Maurício Machado foi um dos que acessou serviços públicos no último mês: acessou a CNH digital, compartilhou o documento do carro, consultou se tinha valores a receber em algum banco. “Faço tudo que posso de minha casa pelo computador ou celular, já era assim, e na pandemia foi ainda mais”, diz o aposentado de 71 anos. 

Para quem ainda prefere ir até as agências e cartórios, o serviço de balcão continuará existindo. “Mas ele será qualificado, com menos filas, uma vez que a maior parte das pessoas já terá conseguido resolver pelo digital”, tranquiliza Miyadaira. 

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Segurança

O especialista em segurança cibernética Leonardo Sant’Anna pontua que o Brasil ainda tem desafios no que diz respeito à segurança. Se apenas os ataques diretos forem medidos, de 160 países classificados no Ranking NCSI - que mede as capacidades dos países em resistir a ataques -, o Brasil está apenas no 73º lugar, atrás de Paraguai, Egito, Uganda e Cazaquistão. “Países longe de serem considerados entre grandes potências mundiais”, lamenta. 

Para Sant’Anna, o distanciamento do mundo digital pode ser um atrativo para criminosos. Além disso, ele pontua que os usuários investem pouco em segurança no próprio acesso à internet com antivírus e firewall, por exemplo.  “Por fim temos as falhas governamentais que são facilmente percebidas, com uma lei fraca quanto à punição e uma morosidade da justiça, ambas conectadas ao baixo investimento para que as forças de segurança tenham uma ação mais efetiva quando da invasão dos portais digitais dos governos”, complementa. 

Luiz Miyadaira informa que a segurança é sempre uma preocupação da Secretaria de Serviços Públicos Digitais. À medida que as bases de dados dos TRE’s, Detrans, Receita Federal, Secretarias de Segurança Pública vão sendo digitalizadas, o cadastro do cidadão vai se aprimorando. Atualmente, as contas possuem níveis que dizem respeito à confiabilidade e segurança: estão divididas em bronze, prata e ouro. “O acesso é certificado por biometria, por isso, traz segurança”, assegura Miyadaira. 

Confira os serviços mais acessados

  • Saque do abono salarial;
  • consulta de CPF;
  • Obtenção da carteira de trabalho;
  • Busca pelo certificado nacional de vacinação Covid-19;
  • Solicitação de certidão para saque de PIS/Pasep/FGTS; e 
  • Obtenção de passaporte.
     

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LOC.: Pelo celular dá para consultar saldos esquecidos em bancos, acessar serviços do INSS, fazer operações do FGTS, gerar guia de recolhimento de impostos, consultar documentos. Em três anos, mais de mil e 600 serviços públicos foram digitalizados. Ao todo, 74% dos serviços oferecidos pelos governos de diferentes níveis já podem ser acessados pelos meios digitais.

Para diretor de Serviços Públicos Digitais do Ministério da Economia, Luiz Miyadaira, o país está avançando a passos largos. Ele diz que só não serão digitalizados serviços que essencialmente não tem como funcionar dessa maneira, como uma perícia ou uma vacina. 
 

TEC. SONORA: Luiz Miyadaira, diretor de Serviços Públicos Digitais do Ministério da Economia

“A pandemia nesse ponto causou um efeito de que é ou a gente digitalizava ou as pessoas ficavam simplesmente sem o balcão físico. E o serviço digital salvou a população de ficar no escuro total. Agora, elas se acostumaram com o serviço digital. Então um dos desafios é isso. É o tempo que a gente não tem, e que a gente precisa recuperar. O segundo desafio: acho que a gente precisa ser cada vez mais assertivo e pensar na experiência do cidadão como único, independente de onde ele mora e de onde ele está, se fazendo um serviço estadual, municipal ou federal”
 

LOC.: À medida que serviços como os Detrans, a Receita Federal, as Secretarias de Segurança Pública vão digitalizando suas bases de dados, as informações vão sendo agrupadas e a conta de acesso único aos serviços, o Gov.br, vai ficando mais segura. Atualmente, a plataforma já possui cerca de 127 milhões de usuários, o que representa cerca de 80% da população adulta brasileira. Só em fevereiro, foram feitos 250 milhões de acessos de serviços públicos pelo Gov.br. 

O aposentado Maurício Machado, de 71 anos, foi um deles. Além de consultar se teria algum valor esquecido no banco, também consultou a carteira de motorista digital e compartilhou o documento do carro com a filha. Agora, ele está fazendo a declaração de imposto de renda com as informações pré-preenchidas.
 

TEC./SONORA: Maurício Machado, aposentado  

“Independente do termo de Covid-19, em que eu fiquei recluso, mesmo assim eu procuro resolver o acesso às informações todo pelo computador, pelo celular. Inclusive serviço bancário raramente eu vou a uma agência bancária para resolver alguma situação. Só mesmo em casos especiais, faço de casa pagamentos. Bom, sacar dinheiro não tem jeito, tem que ir”
 

LOC.: Como nem todas as pessoas se adaptam ao digital, os atendimentos de balcão vão continuar existindo. O Brasil está na liderança de digitalização de serviços públicos nas Américas, à frente dos Estados Unidos e do Canadá. Em todo o mundo, o Brasil ocupa a sétima colocação no que diz respeito à digitalização de serviços públicos entre 198 países avaliados pelo Banco Mundial. 

Reportagem, Angélica Córdova