
Voltar
LOC 1: Um projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados, na última segunda-feira, pode representar um marco para o sistema de ciência, tecnologia e inovação no Brasil. A proposta, de autoria do senador Jaques Wagner, do PT baiano, altera a legislação que regulamenta o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, e autoriza o uso do superávit financeiro do Fundo para a concessão de empréstimos.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria, a CNI, a medida é estratégica para impulsionar a inovação tecnológica, ampliar a competitividade da indústria nacional e gerar benefícios sociais, econômicos e ambientais.
A novidade é que o projeto autoriza também o uso de recursos excedentes de anos anteriores para financiar projetos, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos, a Finep.
A estimativa é de que cerca de VINTE E DOIS BILHÕES DE REAIS em superávit possam ser destravados e direcionados a iniciativas voltadas à inovação e ao desenvolvimento tecnológico.
A especialista de Desenvolvimento Industrial da CNI, Zil Miranda, reforça a relevância da proposta como vetor de transformação.
TEC./SONORA: Especialista de Desenvolvimento Industrial da CNI, Zil Miranda.
“Estamos falando aqui de cerca de R$ 22 bilhões acumulados no Tesouro que passam a ter potencial de aplicação no desenvolvimento de tecnologias e de inovações no país. Então, essa é uma grande vitória. Há uma demanda represada por recursos, nós sabemos disso, e os próprios números da Finep nos sinalizam essa alta demanda. Em 2024, por exemplo, a demanda da Finep foi acima de R$ 23 bilhões, sendo que foram contratados pouco mais de R$ 14 bilhões. Mesmo se a gente considerar que parte desses projetos não estivesse apta a receber o financiamento, são cerca de R$ 10 bilhões não atendidos. E certamente há nesse volume projetos que ficaram de fora devido à oferta limitada de financiamento.”
LOC 2: A Associação Brasileira de Desenvolvimento celebrou a aprovação do PL e destacou que a liberação desses recursos representa um avanço significativo na agenda de financiamento ao desenvolvimento. Para a entidade, os recursos permitirão a ampliação de programas estratégicos como o Inovacred, operado pela Finep em parceria com instituições financeiras do Sistema Nacional de Fomento, voltado ao financiamento de projetos inovadores em diversos setores da economia.
O diretor executivo da entidade, André Godoy, destaca que a mudança permitirá crédito a cooperativas e empresas de todos os portes, em setores como indústria, agropecuária, saúde, tecnologia da informação, comunicação, química, energia e aeronáutica.
TEC./SONORA: Diretor executivo da ABDE, André Godoy
“São recursos importantes que vão para projetos do Brasil inteiro. O Sistema Nacional de Fomento já opera os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico junto às empresas. Então, de certa maneira, são instituições que já têm recursos humanos capacitados para poderem fazer análise de projetos de inovação, a curva tecnológica, então, todos os aspectos relacionados a um projeto dessa natureza.”
LOC 3: A ABDE reforça que a proposta não apenas impulsiona a inovação, mas também contribui diretamente para o crescimento sustentável, o fortalecimento da base produtiva e a geração de empregos qualificados no Brasil.
Agora, o projeto de lei que aumenta recursos disponíveis para projetos de financiamento reembolsável bancados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico segue para sanção presidencial.
Reportagem, Deborah Souza.