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LOC.: O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, no litoral sul da Bahia, enfrenta poluição por plásticos, apesar de ser uma das principais áreas de conservação marinha do Brasil.
Um estudo conduzido pelo professor Ítalo Braga, do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo, analisou dez Unidades de Conservação de proteção integral e encontrou microplásticos em todas as áreas analisadas.
Em Abrolhos, foram identificados fragmentos de PET, teflon e principalmente, polímeros alquídicos, usados em tintas de embarcações.
Segundo Braga, esses resíduos chegam por correntes marítimas, marés e ventos, alcançando até regiões remotas.
TEC./SONORA: Ítalo Braga, professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo
“Não é por acaso que hoje os microplásticos são encontrados do topo do Everest ao fundo da Fossa das Marianas, que é a zona mais profunda do oceano. Você tem microplásticos mesmo em áreas não habitadas, sugerindo que esses materiais são transportados por veículos naturais, como ventos e correntes, inclusive por longas distâncias.”
LOC.: A chefe do ICMBio em Abrolhos, Josângela da Silva Jesus, afirma que o lixo vem de várias partes do mundo e já afeta aves marinhas do parque.
TEC./SONORA: Josângela da Silva Jesus, chefe do ICMBio em Abrolhos
“A gente realiza o monitoramento dos resíduos que chegam nas ilhas e percebe que chega lixo do mundo todo, com rótulos da Ásia, da África e de vários outros lugares. E a gente tem uma área que é um grande ninhal de fragatas, e quando vai olhar para esses ninhos, vê que as fragatas utilizam lixos marinhos para fazer os seus ninhos.”
LOC.: Relatório da organização Oceana mostra que quase metade das espécies analisadas pelo Projeto de Monitoramento de Praias continha plástico no estômago. Entre as aves, a incidência chegou a 77,9%.
Para enfrentar a poluição, especialistas defendem medidas locais e globais. Entre elas, o Tratado Global contra a Poluição por Plástico e o Projeto de Lei 2524 de 2022, que propõe reduzir a produção e consumo de plásticos no Brasil, ao substituir por alternativas mais sustentáveis. O professor Ítalo Braga explica:
TEC./SONORA: Ítalo Braga, professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo
“Sou um grande apoiador do PL. E ele prevê, sim, dentro das suas estratégias, mecanismos que vão, a médio e longo prazo, contribuir para a redução da emissão de microplásticos, na medida em que você converte a economia brasileira do plástico de linear para circular. Isso significa um volume menor de materiais sendo lançados no ambiente.”
LOC.: O caso de Abrolhos evidencia que nem mesmo áreas de proteção integral estão livres da poluição plástica. A contaminação exige medidas para reduzir os impactos desse material nos ecossistemas marinhos.
Reportagem, Maria Clara Abreu