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LOC.: A Câmara dos Deputados aprovou, na última semana, um pacote que reformula a política agrícola e o Prêmio do Seguro Rural. A matéria prevê taxas de juros menores e prioridade em operações de crédito rural quando a atividade estiver segurada, com o prêmio bancado por um fundo abastecido com recursos públicos.
Instituído em 2010, o “Fundo Catástrofe”, como foi apelidado, não chegou a vigorar por falta de aportes contínuos de recursos e de regulamentação. O texto determina que, em caso de aprovação da lei, o fundo será composto por ações de empresas com participação minoritária da União, de economia mista, imóveis e outros direitos do governo federal.
A administração dos recursos do fundo pode ficar a cargo de empresa pública, inclusive banco federal. Seguradoras, cooperativas e companhias da cadeia produtiva do agronegócio podem participar da gestão na condição de cotistas.
O texto aprovado foi o substitutivo do relator, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), que trouxe novos elementos, como o detalhamento de cláusulas para o seguro também servir como garantia em empréstimos rurais. Além disso, o novo projeto proíbe o contingenciamento ou o bloqueio de despesas de subvenção do prêmio do seguro rural, como as do Fundo Catástrofe.
Já os produtores rurais passam a contar com vantagens na hora da contratação do seguro, como taxas de juros, prazos e limites mais favoráveis no crédito rural; prioridade no acesso ao crédito; financiamento do prêmio do seguro.
O substitutivo ainda atualiza as atividades agrícolas e determina que o Poder Executivo defina quais podem ser asseguradas. Em caso de evento coberto, a seguradora passa a ter prazo máximo de 30 dias, contados da entrega dos documentos ou da vistoria técnica, para efetuar o pagamento ao produtor afetado.
Fica mantida a possibilidade do seguro rural ser utilizado como garantia nas operações de crédito rural. No entanto, a instituição financeira credora pode ser definida como primeira beneficiária em caso de sinistro ou detentora dos direitos fiduciários.
Devido às mudanças substanciais, agora a proposta deve voltar para análise do Senado. De acordo com a Frente Parlamentar da Agropecuária, o projeto pode retomar a relevância do seguro rural. Dados do Ministério da Agricultura demonstram que o valor executado pela política caiu 49% em relação a 2021, e a área coberta teve o pior desempenho nos últimos 10 anos, com 3,2 milhões de hectares assegurados em 2025.
Reportagem, Álvaro Couto.