Vacina Covid - Foto: Daniel Castellano/SMCS Curitiba
Vacina Covid - Foto: Daniel Castellano/SMCS Curitiba

Covid-19: vacinação em massa pode levar à retomada da indústria e da economia

Pesquisa da CNI mostra que brasileiros estão mais preocupados com a pandemia, mas a situação financeira das famílias tem impedido o aumento das medidas protetivas


Nove em cada 10 brasileiros consideram grave a situação da pandemia de Covid-19 no Brasil. A informação é da segunda etapa da pesquisa “Os brasileiros, a pandemia e o consumo”, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com o levantamento, o cenário é considerado grave por 89% da população. Há um ano, esse percentual era de 80%.

Para o diretor científico da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, José David Urbaéz, apesar do aumento na percepção de gravidade da situação, não se pode afirmar que as medidas de prevenção também se expandiram, já que grande parte da população - muitas vezes em situação de vulnerabilidade socioeconômica - continua se expondo ao vírus para trabalhar e se sustentar.

“Esses trabalhos ocorrem, em grande parte, em locais fechados, com má ventilação. Os trabalhadores são obrigados a tomarem sempre o risco para si, [como no caso] do transporte público. Todas essas circunstâncias desfavoráveis fazem com que a possibilidade de que a consciência da gravidade pudesse melhorar os cuidados não aconteça, porque está fora da governabilidade das pessoas”, esclarece.

O senador Confúcio Moura (MDB-RO) destaca a importância da vacinação para a retomada da economia brasileira.

“Enquanto não houver vacinação massiva, o comércio não reage, o empresário não investe, a desconfiança é enorme, o capital estrangeiro deixa de entrar no País, os pequenos negócios também são fechados; enfim, há um mundo de dificuldades da vida dos negócios”, afirma. 

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Segundo o senador, a indústria brasileira – que já chegou a representar mais de 30% do PIB e hoje está em torno de 11% – também poderá ser beneficiada pela cobertura vacinal.

“Com a vacinação em massa, com a economia reagindo, o setor empresarial também reagirá – tanto a parte industrial do agro, quanto as indústrias de um modo geral –, porque é um sistema de vasos comunicantes. Além disso, entrará um somatório novo que é o crédito”. O parlamentar acrescenta que a recuperação da indústria poderá acarretar no aumento da oferta de empregos para o Brasil.

Vacinômetro

Segundo o Ministério da Saúde, 43.727.936 pessoas já tomaram a primeira dose da vacina contra Covid-19, o que representa 20,8% da população, e 21.540.640 pessoas tomaram a segunda dose, cerca de 10% dos brasileiros. Os dados são do dia 28 de maio.

Para o infectologista José David Urbaéz, a campanha de vacinação contra a Covid-19 é fundamental para ampliar a cobertura da imunização no País.

“Por mais que vacinemos, nesse momento, dois ou três milhões de pessoas, ainda estaríamos longe de termos um percentual de vacinados de 50% da população com duas doses, o que permitiria um certo alívio no sentido de controle da pandemia”. Com a baixa vacinação, Urbaéz reforça a necessidade de aliar a vacinação às medidas de isolamento social.

Percepção da situação da pandemia

A pesquisa da CNI foi realizada entre 16 e 20 de abril, com 2.010 pessoas. Para 93% das mulheres entrevistadas, a situação é grave ou gravíssima. Já entre os homens, esse percentual é de 85%. Por faixa etária, 86% da população entre 25 e 40 anos consideram a pandemia como grave. Já entre aqueles com mais de 60 anos, essa percepção sobe para 92%.

Arte - Brasil 61

Para o diretor científico da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, José David Urbaéz, o aumento da percepção de gravidade da pandemia se deu pelo próprio agravamento da doença no Brasil, no início de 2021.

“Esse aumento na percepção da gravidade é o cenário que se construiu com a recrudescência [da Covid-19] e que de alguma forma mexeu com o negacionismo e a falta de percepção da realidade. As cenas terríveis de pacientes se sufocando por falta de oxigênio, o colapso nas estruturas hospitalares, o aumento significativo do número de casos e de óbitos; tudo isso cria um conjunto narrativo extremamente sensibilizador à população”, afirma.

O especialista também cita outros fatores que levaram a população a se conscientizar sobre a gravidade da pandemia, como a falta de sedativos para pacientes que precisam de intubação; as novas cepas do coronavírus, mais transmissíveis e letais; além do aumento de internações e mortes entre pessoas mais jovens pela Covid-19.

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LOC.: Nove em cada 10 brasileiros consideram grave a situação da pandemia de Covid-19 no Brasil. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), há um ano, o cenário é considerado grave por 80% da população. 

Para o diretor científico da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, José David Urbaéz, apesar do aumento na percepção de gravidade da situação, não se pode afirmar que as medidas de prevenção também se expandiram, já que grande parte da população - muitas vezes em situação de vulnerabilidade socioeconômica - continua se expondo ao vírus para trabalhar e se sustentar.

TEC./SONORA: José David Urbaéz, diretor científico da Sociedade de Infectologia do DF.

“Esses trabalhos ocorrem, em grande parte, em locais fechados, com má ventilação. Os trabalhadores são obrigados a tomarem sempre o risco para si, [como no caso] do transporte público. Todas essas circunstâncias desfavoráveis fazem com que a possibilidade de que a consciência da gravidade pudesse melhorar os cuidados não aconteça, porque está fora da governabilidade das pessoas”.

LOC.: Segundo o senador Confúcio Moura (MDB-RO), a vacinação, além de beneficiar a indústria nacional, será de fundamental importância para a retomada da economia brasileira.

TEC./SONORA: senador Confúcio Moura, MDB-RO

“Enquanto não houver vacinação massiva, o comércio não reage, o empresário não investe, a desconfiança é enorme, o capital estrangeiro deixa de entrar no país, os pequenos negócios também são fechados; enfim, há um mundo de dificuldades da vida dos negócios”.

LOC.: Segundo o Ministério da Saúde, até 28 de maio, 21,5 milhões de pessoas tomaram a segunda dose, cerca de 10% dos brasileiros. 

Reportagem, Paloma Custódio