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LOC.: O Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou nesta quinta-feira (24) o Anuário de Segurança Pública 2025, com dados sobre a violência no Brasil durante o ano de 2024.
De acordo com o levantamento, o país registrou pouco mais de 44 mil mortes violentas intencionais (MVIs), com taxa de 20,8 por 100 mil habitantes, uma redução de 5,4% em relação a 2023. O menor resultado desde 2012.
Apesar da queda nacional, as regiões Norte e Nordeste seguem a liderar os índices de violência. O Amapá aparece como o estado mais violento do país, com taxa de 45,1 mortes por 100 mil habitantes, seguido por Bahia, Ceará, Pernambuco e Alagoas.
No recorte municipal, o Anuário aponta que as dez cidades mais violentas do país em 2024 pertencem à Região Nordeste. Maranguape (CE), Jequié (BA), Juazeiro (BA), Camaçari (BA) e Cabo de Santo Agostinho (PE) possuem taxas de MVIs acima de 70 mortes por 100 mil habitantes. A violência nesses municípios está fortemente associada à disputa entre facções pelo controle do tráfico de drogas.
A pesquisa também mostra que os crimes contra mulheres e crianças apresentaram crescimento expressivo. O Brasil registrou 1.492 feminicídios em 2024, o maior número desde 2015. O perfil dos casos registrados evidencia que 63,6% das vítimas eram negras e 64,3% dos crimes ocorreram majoritariamente dentro de casa.
No caso das crianças e adolescentes, o país teve 2.356 mortes violentas intencionais, uma alta de 3,7%. Também subiram os casos de abuso sexual, maus-tratos, abandono de incapaz e violência doméstica infantil.
Outro ponto relevante é o avanço da violência nos ambientes digitais. Os crimes de estelionato pela internet cresceram 17% e já somam, junto com os golpes tradicionais, mais de 2,2 milhões de casos. O fato equivale a quatro golpes por minuto.
O número de desaparecimentos, por sua vez, também indica alta: foram quase 82 mil registros em 2024, um aumento de 4,9%.
Reportagem, Maria Clara Abreu.