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LOC.: Eleita pela segunda vez campeã como cidade “Amiga da Internet” — prêmio concedido pelo SindiTeleBrasil e pela Associação Brasileira de Infraestrutura para as Telecomunicações (Abrintel) — São José dos Campos, em São Paulo, tem muito o que ensinar aos gestores municipais no que diz respeito à conectividade.
Desburocratizar o setor de telecomunicações, modernizar a legislação e criar um ambiente favorável para a inovação. Essas são algumas das dicas que São José dos Campos adotou para se atualizar. A Lei de Inovação, por exemplo, permite que empresas de tecnologia testem equipamentos de LED e Wi-Fi nos postes e nas praças da cidade, por exemplo.
Outra iniciativa foi o Prefbook, uma plataforma que permite que cada morador tenha uma página própria em que ele pode acessar todos os serviços da prefeitura de forma personalizada, como documentos, carnês e processos. A ideia da gestão é investir em um projeto que não se torne obsoleto com o avanço da tecnologia, mas que consiga se aperfeiçoar ao longo dos anos. Está tudo conectado, desde os prédios da prefeitura, passando pelas escolas e até as praças da cidade.
Na segurança pública, a instalação de um novo Centro de Inteligência com cerca de 1000 câmeras, a implantação de LEDs em toda a estrutura de iluminação pública, de câmeras nas lapelas de todos os guardas municipais, entre outras iniciativas, diminuíram alguns crimes na cidade, como roubo e furto de veículos.
José de Mello Correa, secretário de Gestão Administrativa e Finanças de São José dos Campos, enumera os benefícios que a modernização tecnológica trouxe para a gestão do município.
TEC./SONORA: José de Mello Correa, secretário de Gestão Administrativa e Finanças de São José dos Campos
“Vamos conseguir detectar o movimento de pessoas, [fazer] reconhecimento facial no centro da cidade, rastrear cidadãos, objetos e veículos por cor, tempo de permanência de alguém que fica muito parado no mesmo local, estacionamento irregular, detecção de densidade de pessoas, quem está com máscara, sem máscara.”
LOC.: Para Ricardo Dieckmann, gerente de Infraestrutura do SindiTelebrasil, há três barreiras que os gestores municipais costumam enfrentar para modernizar as cidades. A primeira delas é a burocracia, com muitas leis que pedem um calhamaço de documentos, considerados por ele desnecessários.
Em segundo lugar, a culpa é da própria administração, que demora e, às vezes, sequer responde às empresas de telecomunicação sobre um pedido de instalação de antena, por exemplo. Por último, ele cita restrições para a disposição da infraestrutura, já que algumas prefeituras evita a instalação de antenas em determinadas regiões da cidade, o que impede que o serviço de qualidade chegue a todos.
São José dos Campos, Santo André e João Pessoa. O que essas “cidades amigas da internet e inteligentes” têm em comum? Todas elas tratam o investimento em telecomunicações como prioridade, afirma Ricardo Dieckmann.
TEC./SONORA: Ricardo Dieckmann, gerente de Infraestrutura do SindiTelebrasil
“O primeiro e o mais importante é a visão da cidade de que isso é primordial para o bem-estar do cidadão e para o desenvolvimento. A partir daí, a prefeitura busca os caminhos para chegar nessa situação.”
LOC.: Aos que não sabem por onde começar, exemplos não faltam. O SindiTelebrasil, por exemplo, tem uma página com orientações, dicas e até um modelo de Projeto de Lei que os gestores municipais podem usar para destravar o setor em suas cidades. Já a campeã do ranking, São José dos Campos, afirma que já ajudou diversas cidades a darem início ao processo de transformação tecnológica e que está aberta para trocar experiências com os gestores.
Reportagem, Felipe Moura.