Ônibus lotado. Foto: Agência Brasil.
Ônibus lotado. Foto: Agência Brasil.

Lotação do transporte público aumenta o risco de contágio pela Covid-19

Segundo os infectologistas, quanto mais longa a viagem, em ambientes cheios e fechados, maior o risco


Um dos desafios da pandemia tem sido evitar o contágio pelo coronavírus no transporte público. Apesar da obrigatoriedade do uso de máscaras, a aglomeração de ônibus e vagões lotados se torna um cenário propício para transmissão da doença, o que preocupa autoridades sanitárias e milhares de brasileiros que dependem do meio para se locomover diariamente.

Segundo o professor da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em Mobilidade Urbana, Carlos Penna, em vários países é feito um rígido controle da quantidade de passageiros, mantendo uma média de um passageiro por metro quadrado. Enquanto aqui no Brasil os ônibus circulam lotados como de costume, trafegando com uma média de quatro a seis passageiros por metro quadrado. 

“As pessoas se encostam, esfregam, pegam os mesmos puxadores, sentam nos mesmos assentos e respiram o mesmo ar contaminado por horas. Mesmo antes da pandemia essa concentração de passageiros já era condenada por ser considerada insalubre”, declarou.

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A ciência ainda estuda como se dá exatamente a transmissão da Covid-19, mas os estudos indicam que é principalmente por gotículas expelidas por uma pessoa infectada. Por isso, infectologistas concordam que o transporte público é um foco de contágio e dizem que quanto mais longa a viagem, em ambientes cheios e fechados, maior o risco.

O médico e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Julival Ribeiro, acredita que o correto seria que o estado determinasse que apenas pessoas sentadas pudessem utilizar o transporte. Ele define com um risco altíssimo, sobretudo, com as novas variantes que circulam pelo País. 

“Mesmo que as pessoas estejam usando máscaras e elas não forem de boa qualidade, não estiverem cobrindo bem a face, ocorre sim a possibilidade de ocorrer a transmissão dentro do ônibus do coronavírus e essa pessoa ser infectada”, afirmou.

Segundo o infectologista, países da Europa já recomendam o uso do transporte público com uma máscara cirúrgica formando uma primeira camada de proteção e uma de pano por cima. 

Alternativas

Para tentar reduzir a aglomeração de passageiros nos ônibus, a Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal (RN) anunciou que vai aumentar o número de viagens realizadas por 15 linhas nos horários de pico. O município vai fazer a "reformulação imediata" de 30% das ordens de serviço em operação, determinando acréscimo de 30% no número de viagens nos horários entre 6h e 7h e 17h e 18h.

Também na tentativa de frear a circulação do vírus no momento crítico, em Araraquara (SP) foi determinada a higienização de hora em hora dos coletivos. Toda vez que o ônibus entra no terminal ele é higienizado.

Já no município de Itajaí (SC), foi definida para o transporte coletivo urbano municipal a capacidade de 50% de passageiros sentados em todos os níveis de risco. Em Canoas (RS), a prefeitura prometeu multar a empresa de ônibus Sogal em caso de aglomeração nos ônibus.
 

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LOC.: Um dos desafios da pandemia tem sido evitar o contágio pelo vírus no transporte público. Apesar da obrigatoriedade do uso de máscaras, a aglomeração de ônibus e vagões lotados se torna um cenário propício para transmissão da doença.

Segundo o especialista em Mobilidade Urbana, Carlos Penna, em vários países é feito um rígido controle da quantidade de passageiros, mantendo uma média de um passageiro por metro quadrado. 

Enquanto aqui no Brasil os ônibus circulam lotados como de costume, trafegando com uma média de quatro a seis passageiros por metro quadrado. 
 

“As pessoas se encostam, esfregam, pegam os mesmos puxadores, sentam nos mesmos assentos e respiram o mesmo ar contaminado por horas. Mesmo antes da pandemia essa concentração de passageiros já era condenada por ser considerada insalubre.”

LOC.:  De acordo com os infectologistas, quanto mais longa a viagem em ambientes cheios e fechados, maior o risco.

O médico e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Julival Ribeiro, acredita que o correto seria que o estado determinasse que apenas pessoas sentadas pudessem utilizar o transporte. 
 

“Mesmo que as pessoas estejam usando máscaras e elas não forem de boa qualidade, não estiverem cobrindo bem a face, ocorre sim a possibilidade de ocorrer a transmissão dentro do ônibus do coronavírus e essa pessoa ser infectada.”
 

LOC.: Para tentar reduzir a aglomeração de passageiros nos ônibus, a Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal (RN) anunciou que vai aumentar em 30% o número de viagens realizadas horários de pico. Já em Araraquara (SP) foi determinada a higienização de hora em hora dos coletivos.

No município de Itajaí (SC), foi definida a capacidade de 50% de passageiros sentados. 

Reportagem, Rafaela Gonçalves
 

NOTA

LOC.:  Um dos desafios da pandemia tem sido evitar o contágio pelo vírus no transporte público. Apesar da obrigatoriedade do uso de máscaras, a aglomeração de ônibus e vagões lotados se torna um cenário propício para transmissão da doença. Segundo os infectologistas, quanto mais longa a viagem, em ambientes cheios e fechados, maior o risco.

Para tentar reduzir a aglomeração de passageiros alguns municípios decidiram tomar algumas medidas.  A Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal anunciou que vai aumentar em 30% o número de viagens realizadas por 15 linhas nos horários de pico. 

Também na tentativa de frear a circulação do vírus, em Araraquara (SP) foi determinada a higienização de hora em hora dos coletivos. Já no município de Itajaí (SC), foi definida para o transporte coletivo urbano municipal a capacidade de 50% de passageiros sentados em todos os níveis de risco. 

Reportagem, Rafaela Gonçalves