Foto: EBC
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Impostos municipais somam queda de R$ 3,7 bilhões no segundo trimestre, aponta estudo da CNM

Principais tributos de competência dos municípios sofreram redução de 14,35% entre abril e junho deste ano

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A pandemia da Covid-19 trouxe impacto significativo em diferentes setores da arrecadação municipal. Com o recolhimento de tributos, não foi diferente. De abril a junho deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, os principais impostos de competência municipal sofreram redução de 14,35%. 

Juntos, o Imposto Sobre Serviços (ISS), o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o Imposto sobre a Transmissão de Bens Móveis (ITBI) arrecadaram R$ 3,7 bilhões a menos do que no segundo trimestre de 2019. Os dados são do estudo “O comportamento dos impostos municipais durante a pandemia”, da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). 

Esses três impostos têm como base tributária a área urbana das cidades. Com isso, grandes centros urbanos e regiões metropolitanas acabam tendo grande arrecadação própria. De acordo com o levantamento, o principal imposto municipal, o ISS, teve queda significante neste período, chegando a -14,9% de abril a junho de 2020. Se analisados os dados de janeiro a março deste ano em relação aos mesmos meses de 2019, o tributo teve aumento de 10,5%. 

“Quando há uma queda na arrecadação, isso desorganiza todo o planejamento do orçamento daquele ano. Tudo tem que ser redimensionado e adaptado a nova realidade da receita. Tem alguns gastos que são muito difíceis de conseguir reduzir, como por exemplo as despesas de pessoal, despesas de custeio. Tudo isso acaba consumindo a receita que foi arrecada e prejudica o investimento”, explica Eduardo Stranz, consultor da área de estudos técnicos da CNM. 

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IPTU e ITBI

A CNM observou o mesmo padrão para o IPTU durante o período analisado. Houve crescimento nos três primeiros meses de 2020 de 7,8% e queda de 10% entre abril e junho. O impacto foi ainda maior em cidades que não são capitais. Enquanto de janeiro a março o aumento foi de 9,5%, a queda de abril a junho foi de 21,1%. No cenário específico das capitais, houve crescimento de 8% na arrecadação do imposto no primeiro trimestre e queda de 6,8% entre abril e junho.

Os dados do ITBI apresentaram o mesmo comportamento. Em dados gerais do país, até março deste ano houve aumento de 4,9%; de abril a junho a queda foi de 22,1%. Com exceção das capitais, os municípios tiveram saldo positivo de 6,2% de janeiro a março e redução de 15,9% de abril a junho. Já as capitais registraram crescimento de 3,4% de janeiro a março e queda de 29,1% de abril a junho deste ano.

Na avaliação de Eduardo Stranz, o ano de 2021 será de desafios financeiros para as gestões locais. “Será um ano de bastante desafio a partir de janeiro porque, antes de qualquer coisa, não tem como recuperar aquilo que tinha. Temos que pensar no que fazer a partir de agora. O poder público só vai conseguir prestar bons serviços à população e ter mais capacidade de investimento se a economia funcionar, crescer de forma harmônica”, diz. 

Socorro federal

Como auxílio aos entes federados, o Governo Federal adotou algumas iniciativas para aliviar os impactos da crise. Uma delas foi a Lei Complementar (LC) 173/20, que cria o Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus. Pelos dispositivos da lei, fica determinada a suspensão do pagamento da dívida de estados e municípios e do Distrito Federal com a União.

Pelo texto da LC, de 1º de março a 31 de dezembro de 2020, a União ficará impedida de executar as garantias das dívidas decorrentes dos contratos de refinanciamento de dívidas celebrados com os estados e com o Distrito Federal com base na Lei nº 9.496, de 11 de setembro de 1997, e dos contratos de abertura de crédito firmados com as unidades da Federação.

“O governo também fez algumas ações na linha de crédito, programas ligados a emprego, programa para empresas maiores e microempresários e microempreendedores individuais. A partir de junho, já foi possível ver sinal de recuperação, ainda não suficiente para recuperar o que aconteceu no ano, mas uma recuperação na arrecadação tributária”, avalia o professor de Finanças do Ibmec do Distrito Federal, William Baghdassarian. 

Quanto ao cenário de econômico do Brasil após a pandemia, Baghdassarian destaca o crescimento do endividamento público. “Provavelmente o cenário do pós-pandemia é crítico para o país. Teremos um endividamento púbico da ordem de 100% do PIB, e isso significa baixo crescimento econômico no futuro. As despesas de estados, municípios e União vão crescer mais rápido do que as receitas. Esse contexto todo prejudica os mais pobres, quem não pode se defender do desemprego e inflação”, completa. 

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LOC.: A pandemia da Covid-19 trouxe impacto significativo em diferentes setores da arrecadação municipal. Com o recolhimento de tributos, não foi diferente. De abril a junho deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, os principais impostos de competência municipal sofreram redução de 14%. 
Juntos, o ISS, o IPTU e o ITBI arrecadaram R$ 3,7 bilhões a menos do que no segundo trimestre de 2019. Os dados são de um estudo feito pela Confederação Nacional dos Municípios publicado neste mês de outubro.  

Esses três impostos têm como base tributária a área urbana das cidades. Com isso, grandes centros urbanos e regiões metropolitanas acabam tendo grande arrecadação própria. De acordo com o levantamento, o principal imposto municipal, o ISS, teve queda expressiva neste período, chegando a quase 15% de abril a junho de 2020. Se analisados os dados de janeiro a março deste ano em relação aos mesmos meses de 2019, o tributo teve aumento de 10,5%. 

O IPTU e o ITBI também tiveram comportamento parecido com o ISS, de aumento no recolhimento nos três primeiros meses do ano e queda entre abril e junho. 
O consultor da área de estudos técnicos da CNM, Eduardo Stranz, explica que a queda na arrecadação tributária tem impacto direto no planejamento orçamentário dos municípios.
 

TEC./SONORA: Eduardo Stranz, consultor da área de estudos técnicos da CNM.

“Quando há uma queda na arrecadação, isso desorganiza todo o planejamento do orçamento daquele ano. Tudo tem que ser redimensionado e adaptado a nova realidade da receita. Tem alguns gastos que são muito difíceis de conseguir reduzir, como por exemplo as despesas de pessoal.”
 


LOC.: Como auxílio aos entes federados, o Governo Federal adotou algumas iniciativas para aliviar os impactos da crise. Uma delas foi a Lei Complementar 173/20, que cria o Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus. Pelos dispositivos da lei, fica determinado a suspensão do pagamento da dívida de estados e municípios com a União.

Mesmo com o socorro federal, o professor de Finanças do Ibmec de Brasília, William Baghdassarian, destaca que o cenário econômico no pós-pandemia será de endividamento público.

TEC./SONORA: William Baghdassarian, professor do Ibmec.

“Provavelmente o cenário do pós-pandemia é crítico para o país. Teremos um endividamento púbico da ordem de 100% do PIB, e isso significa baixo crescimento econômico no futuro. As despesas de estados, municípios e União vão crescer mais rápido do que as receitas. Esse contexto todo prejudica os mais pobres, quem não pode se defender do desemprego e inflação.”
 


LOC.:  O estudo completo da CNM sobre a queda na arrecadação tributária dos municípios pode ser encontrado no site da confederação, através do cnm.org.br