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LOC.: A pandemia da Covid-19 trouxe impacto significativo em diferentes setores da arrecadação municipal. Com o recolhimento de tributos, não foi diferente. De abril a junho deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, os principais impostos de competência municipal sofreram redução de 14%.
Juntos, o ISS, o IPTU e o ITBI arrecadaram R$ 3,7 bilhões a menos do que no segundo trimestre de 2019. Os dados são de um estudo feito pela Confederação Nacional dos Municípios publicado neste mês de outubro.
Esses três impostos têm como base tributária a área urbana das cidades. Com isso, grandes centros urbanos e regiões metropolitanas acabam tendo grande arrecadação própria. De acordo com o levantamento, o principal imposto municipal, o ISS, teve queda expressiva neste período, chegando a quase 15% de abril a junho de 2020. Se analisados os dados de janeiro a março deste ano em relação aos mesmos meses de 2019, o tributo teve aumento de 10,5%.
O IPTU e o ITBI também tiveram comportamento parecido com o ISS, de aumento no recolhimento nos três primeiros meses do ano e queda entre abril e junho.
O consultor da área de estudos técnicos da CNM, Eduardo Stranz, explica que a queda na arrecadação tributária tem impacto direto no planejamento orçamentário dos municípios.
TEC./SONORA: Eduardo Stranz, consultor da área de estudos técnicos da CNM.
“Quando há uma queda na arrecadação, isso desorganiza todo o planejamento do orçamento daquele ano. Tudo tem que ser redimensionado e adaptado a nova realidade da receita. Tem alguns gastos que são muito difíceis de conseguir reduzir, como por exemplo as despesas de pessoal.”
LOC.: Como auxílio aos entes federados, o Governo Federal adotou algumas iniciativas para aliviar os impactos da crise. Uma delas foi a Lei Complementar 173/20, que cria o Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus. Pelos dispositivos da lei, fica determinado a suspensão do pagamento da dívida de estados e municípios com a União.
Mesmo com o socorro federal, o professor de Finanças do Ibmec de Brasília, William Baghdassarian, destaca que o cenário econômico no pós-pandemia será de endividamento público.
TEC./SONORA: William Baghdassarian, professor do Ibmec.
“Provavelmente o cenário do pós-pandemia é crítico para o país. Teremos um endividamento púbico da ordem de 100% do PIB, e isso significa baixo crescimento econômico no futuro. As despesas de estados, municípios e União vão crescer mais rápido do que as receitas. Esse contexto todo prejudica os mais pobres, quem não pode se defender do desemprego e inflação.”
LOC.: O estudo completo da CNM sobre a queda na arrecadação tributária dos municípios pode ser encontrado no site da confederação, através do cnm.org.br