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LOC.: A China se prepara para iniciar a fase pós-covid. Economias de todo o mundo estão de olho no comportamento do mercado chinês, já que o país asiático é o principal destino de exportações e importante parceiro comercial do Brasil.
O governo de Xi Jinping tem o plano de iniciar uma reforma agrícola no país, investindo em políticas públicas que priorizem o desenvolvimento do agronegócio nacional. A intenção é reduzir a dependência externa do país por alimentos como carne e soja, por exemplo.
Para o professor de Economia Chinesa do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Roberto Dumas, o recente surto de peste suína africana (PSA), que dizimou boa parte do rebanho chinês, é um dos fatores que pode alavancar o mercado brasileiro.
TEC./SONORA: Roberto Dumas, professor de Economia Chinesa do Ibmec.
“Houve problema da febre suína. Eles precisam desesperadamente de proteína animal. Dado que [a peste suína] veio dessa falta de higiene no trato e na criação dos porcos, o governo chinês falou que os porcos deveriam ser alimentados de forma diferente, com soja e farelo de soja. O Brasil exporta soja e pode se beneficiar com isso.”
LOC.: Estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou que, mesmo com a crise causada pela pandemia do coronavírus, o setor agropecuário brasileiro deve registrar crescimento de 2,5% neste ano.
Segundo o Ipea, as exportações de produtos agropecuários tiveram aumento de 7% de janeiro a abril, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Segundo o pesquisador do IPEA, Fábio Servo, a recuperação brasileira deve ser puxada pela pecuária, segmento forte no mercado internacional.
TEC./SONORA: Fábio Servo, economista e pesquisador do IPEA.
“Deve haver uma recuperação grande da exportação de bovinos para a China. Há um crescimento muito forte também de outras proteínas animais, como suínos, frangos, não só para a China, mas também para a Arábia Saudita. O mercado internacional tende a auxiliar bastante na recuperação da produção da pecuária brasileira.”
LOC.: A crise atingiu em cheio uma das principais economias globais. Apenas no primeiro trimestre de 2020, o Produto Interno Bruto da China teve queda de 6,8%, a primeira em quase três décadas.
Reportagem, Thiago Marcolini