Foto: Agência Brasil
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Rondônia aponta oito setores que podem servir de guia para o Instituto Amazônia +21 e o desenvolvimento sustentável na região

Cadernos Técnicos Setoriais de Porto Velho dão uma ideia a produtores e investidores de como desenvolver a Amazônia Legal de forma sustentável e dentro dos padrões ESG


A prefeitura de Porto Velho (RO), por meio da Agência de Desenvolvimento, lançou no fim de 2021 oito Cadernos Técnicos Setoriais alinhados à agenda do Instituto Amazônia +21, ou seja, que trata de identificar negócios sustentáveis na região da Amazônia Legal. As oportunidades de negócios foram apontadas por estudos e visam os seguintes segmentos: Agropecuária de Baixa Emissão; Bioeconomia; Biotecnologia; Concessões de Floresta; Energias Renováveis; Florestas Plantadas; Mineração Sustentável e Turismo Sustentável.

Os estudos contribuem para a atração de investidores não apenas brasileiros, mas também do exterior, visando o fomento de iniciativas que garantam a geração de empregos, renda e riqueza na região, sem deixar de lado as metas estabelecidas pela chamada economia verde, apoiada em três pilares: ambiental, social e governança (da sigla em inglês ESG).

Marcelo Thomé, que além de presidente da Agência de Desenvolvimento de Porto Velho (ADPVH) é o diretor executivo do Instituto Amazônia +21, explica que os estudos foram elaborados diante de extensa pesquisa com o objetivo de levar o mapeamento completo aos investidores quanto às oportunidades de negócios, promovendo o desenvolvimento socioeconômico da região amazônica.

Thomé ressalta que não há dúvidas de que a sustentabilidade, hoje, é uma exigência dos mercados consumidores e dos próprios governos, além de orientar os processos industriais em todo o mundo. O diretor do Instituto lembra que diversos setores bastante avançados já migram para processos industriais de menor emissão, como o de celulose, de cimento e de aço. “Cada vez mais mercados consumidores valorizam produtos produzidos de forma sustentável. O Brasil tem a possibilidade de ser o protagonista dessa agenda em nível global e, no recorte amazônico, precisamos agora, por meio da inovação, da ciência, tecnologia, identificar caminhos efetivos para transformar o potencial econômico do bioma amazônico em negócios sustentáveis”, destaca.

Os conteúdos dos cadernos técnicos tratam de diretrizes para diversidade, inclusão e sustentabilidade econômica de negócios em Rondônia, mas servem como uma bússola para os outros oito estados da Amazônia Legal, Acre, Roraima, Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins, Amazonas e Mato Grosso. Segundo Guilherme Gonzales, diretor técnico da Agência de Desenvolvimento, os Cadernos Técnicos Setoriais trazem estudos realizados para identificar potencialidades na região rondoniense, mas podem inspirar modelos de estudos para a identificação de negócios sustentáveis em todos estados amazônicos, que é justamente a linha de atuação do Instituto.

“Esses cadernos podem inspirar novos estudos, já que cada estado tem uma característica e uma realidade diferentes. Você já tem uma orientação do que pode fazer e de como você pode estudar potencialidades econômicas da região amazônica para o desenvolvimento sustentável. E é aí que entra o Instituto Amazônia +21.”  

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Segmentos apontados

Agropecuária de baixa emissão: com o crescimento populacional mundial e o consequente aumento do consumo de proteína animal, torna-se crucial o desenvolvimento de uma agropecuária de baixa emissão. O estudo contempla diversos aspectos, entre eles o incentivo ao desenvolvimento de alimentos de alta tecnologia, redução de descarte e até otimizações no transporte das regiões produtivas até o consumidor final. A produção de alimentos é um dos fortes da região amazônica e um dos setores da economia que mais contribui para o aquecimento global.

Bioeconomia: a diversidade territorial amazônica, refletida em seus povos, culturas, solos, flora e fauna, contém elementos únicos para proporcionar uma vida melhor à população da Região Amazônica e ao Brasil. Sob a perspectiva econômica, a Amazônia dispõe de potencial relevante para gerar riqueza e prosperidade a partir de variados produtos e serviços com qualidade, agregando valor e conservando o patrimônio genético. O caderno técnico setorial da bioeconomia tem o objetivo de apresentar uma agenda transformadora na região, partindo da premissa de que o desenvolvimento econômico racional, consistente e de longo prazo deve ser fundamentado no conhecimento da natureza e no entendimento de que a biodiversidade amazônica é o lastro deste processo transformador.

Biotecnologia: a bioeconomia é resultado direto da dinâmica do desenvolvimento de produtos que fazem uso de recursos da biodiversidade e que podem ser gerados a partir dos desdobramentos de diferentes áreas do conhecimento. Mesmo que a bioindústria exista na região, ela é emergente e utiliza um nível tecnológico de baixa a média complexidade. Diante desta ótica, o estudo tem o objetivo de enfatizar a importância da Biotecnologia como uma das frentes de destaque do universo da bioeconomia.

Concessão de florestas: a região apresenta madeira de alta qualidade para o mercado. Além da disponibilidade de áreas para a silvicultura há também a comercialização de madeira proveniente do extrativismo, uma vez que apresenta vastas extensões de reservas florestais. O estudo foca as diversas legislações que dividem as florestas nativas brasileiras dentro do conceito de unidade de conservação, procurando entender qual o panorama de cada tipo de floresta e tem o objetivo de apresentar, de forma objetiva, as ações, os investimentos necessários e o impacto na geração de riquezas, empregos e renda para o desenvolvimento sustentável por meio da identificação e da priorização de estratégias pertinentes ao âmbito do desenvolvimento de concessões de florestas na região.

Energias renováveis: a geração de energia elétrica é um setor fundamentalmente estratégico para o desenvolvimento de qualquer sociedade em qualquer lugar do mundo, tendo sido tratada sempre como um pilar estratégico prioritário na jornada humana. Entretanto, estas atividades de produção muitas vezes utilizam fontes não renováveis, o que por si só já é um problema visto que um dia acabam. Além disso, são energias extremamente poluentes, como o carvão, que trouxeram consequências ambientais graves ao planeta e atualmente tornaram-se intoleráveis aos princípios de sustentabilidade, demandando que todos os países se esforcem para substituir essas fontes poluentes por fontes renováveis e limpas. O tem como proposta salientar a importância das fontes renováveis na geração de energia elétrica em prol de uma matriz energética sustentável, que não agrida ao meio ambiente e esteja alinhada com as principais políticas ambientais mundiais.

Florestas plantadas: a região apresenta madeira de alta qualidade para o mercado e o caderno visa esclarecer as diretrizes para os subsetores: energético (lenha, carvão vegetal, pellets e resíduos); toras industriais, madeira serrada e outros; produtos de madeira sólida (móveis etc.); painéis de madeira; e madeira destinada à produção de papel e celulose. O estudo tem como objetivo apresentar as ações, os investimentos necessários e o impacto na geração de riquezas, empregos e renda para o desenvolvimento sustentável priorizando estratégias pertinentes ao desenvolvimento de florestas plantadas na região.

Mineração sustentável: o caderno setorial de Mineração Sustentável tem como proposta identificar o potencial econômico da indústria mineral, considerando os principais instrumentos de gestão nas empresas em busca de diminuição de passivo ambiental, métodos de controle, melhores práticas e ações para redução do impacto no meio ambiente desta atividade que é essencial para o setor produtivo e para a vida moderna, mas que também gera uma série de resíduos e impactos na biodiversidade. O objetivo do estudo é propor ações capazes de proporcionar o desenvolvimento do setor, além de mitigar os danos potenciais que esta indústria pode gerar.

Turismo sustentável: na indústria do turismo se fala cada vez mais em sustentabilidade. A prática de viajar está diretamente relacionada com a própria história do desenvolvimento socioeconômico da humanidade, como consequência natural das atividades cotidianas e das mais diversas necessidades que as comunidades foram tendo, até tomar a forma do turismo atual. Seja em negócios ou em lazer, a atividade turística tomou proporções enormes e hoje representa mais de 10% do PIB mundial, se tornando um dos setores mais importantes da economia, e como qualquer indústria, ela gera impactos positivos e negativos para as pessoas e para o planeta. O estudo em questão tem como proposta destacar a importância do turismo na Amazônia Legal para a economia, apontando ainda oportunidades prioritárias de investimento para seu desenvolvimento tendo como base a sustentabilidade alinhada às principais políticas ambientais mundiais, assim como as diretrizes estabelecidas pelo Fórum Amazônia +21.

Em maturação

O Instituto Amazônia+21 nasceu a partir do Fórum Mundial, em novembro de 2020, com o propósito de difundir os princípios de ESG, apoiar a criação de novos negócios e projetos sustentáveis na Amazônia, bem como adequar empreendimentos já existentes para práticas sustentáveis, dialogando com as demandas locais e com a vocação econômica da região, que abrange 772 municípios e abriga cerca de 24 milhões de brasileiros. As Federações das Indústrias dos nove estados que compõem a Amazônia Legal fazem parte dessa missão e apoiam o Instituto na missão de identificar e fomentar negócios sustentáveis na região.

Em 2021, o Instituto começou a investir em duas frentes: a integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF), que possibilita o aumento da produtividade ao passo em que também promove a recuperação ambiental, e a produção de biogás, energia limpa produzida a partir da decomposição de matéria orgânica, em sua maioria descartada na região. Agora, a ideia é apostar em outras frentes, sabendo que ainda se está construindo o alicerce de uma mudança na Amazônia Legal, como explica Gilberto Braga, um dos consultores do Instituto.

“O Instituto ainda está cumprindo etapas de formalização. É uma maturação da implantação. O objetivo é fomentar, promover e apoiar negócios sustentáveis na Amazônia. Estamos construindo essa iniciativa, que é apoiada por uma ampla rede de empresários, e dando forma a essa ideia, ou seja, se habilitando tecnicamente, desenvolvendo e associando conhecimento e soluções na agenda ESG para estruturar o apoio às empresas que desejam exatamente isso, trabalhar com projetos sustentáveis na Amazônia”, ressalta Gilberto.

Os Cadernos Técnicos Setoriais com os estudos sobre segmentos sustentáveis na Amazônia podem ser baixados na página da Agência de Desenvolvimento de Porto Velho.

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LOC.: O Instituto Amazônia +21, uma iniciativa de empresas na criação de novos negócios e projetos sustentáveis na região, recebeu novo apoio. A prefeitura de Porto Velho lançou, recentemente, um conjunto de estudos com informações sobre oito áreas de atuação dentro da chamada economia verde. É voltado para empreendimentos de todos os portes, de setores como os da indústria, de serviços, da mineração e da agropecuária. 

As publicações trazem um mapeamento aos investidores quanto às oportunidades nas áreas de agropecuária de baixa emissão, bioeconomia, biotecnologia, concessões de floresta, energias renováveis, florestas plantadas, mineração sustentável e turismo sustentável.

Os estudos tratam de diretrizes para diversidade, inclusão e sustentabilidade econômica e ajudam a identificar potencialidades dentro das fronteiras de Rondônia. Mas podem inspirar modelos de estudos em todos estados amazônicos, como explica o diretor técnico da agência de desenvolvimento de Porto Velho, Guilherme Gonzales.
 

TEC./SONORA: Guilherme Gonzales, diretor técnico da Agência de Desenvolvimento

“É uma orientação do que se pode fazer e de como você pode estudar potencialidades econômicas da região amazônica para o desenvolvimento sustentável. E é aí que entra o Instituto Amazônia +21.”
 

LOC.: Para o diretor do Instituto Amazônia +21 e presidente da agência, Marcelo Thomé, os conteúdos atendem a demandas de um setor produtivo "forte". Para o gestor, a Amazônia é o principal vetor de desenvolvimento sustentável do Brasil. 

TEC./SONORA: Marcelo Thomé, diretor do Instituto Amazônia +21

“O Brasil tem a possibilidade de ser o protagonista dessa agenda em nível global e, no recorte amazônico, precisamos agora, por meio da inovação, da ciência, tecnologia, identificar caminhos efetivos para transformar o potencial econômico do bioma amazônico em negócios sustentáveis.”
 

LOC.: Rondônia se destaca na produção de produtos agropecuários, florestais e minerais. Dados levantados pela agência de desenvolvimento de Porto Velho apontam que, em 2020, o estado produziu mais de dois milhões de toneladas de toras de madeira, entre madeira nativa extraída em concessões de florestas públicas e florestas plantadas. No mesmo ano, o estado também produziu mais de um milhão de toneladas de soja e quase 600 mil toneladas de cortes bovinos. Na mineração, produziu 945 mil toneladas de brita e cascalho e cerca de 400 mil toneladas de calcário. Na indústria, o estado possui um PIB de quase sete bilhões de reais, com destaque para o setor de serviços industriais de utilidade pública.

Os estudos sobre segmentos sustentáveis na Amazônia podem ser baixados na página da Agência de Desenvolvimento de Porto Velho. Basta clicar na área “biblioteca” do endereço ad.portovelho.ro.gov.br.

Reportagem, Luciano Marques