Foto: Divulgação/Fiocruz
Foto: Divulgação/Fiocruz

Risco de dengue aumenta durante período chuvoso, alertam especialistas

Saiba como evitar que a água da chuva se acumule em possíveis criadouros


Nesta época do ano em que as chuvas estão voltando na maior parte do Brasil, cresce a preocupação com a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. O alerta é feito por especialistas.

A pesquisadora Rafaela Vieira Bruno, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Insetos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), explica que, quando a água da chuva cai em criadouros, os ovos que já haviam sido depositados ali continuam o seu ciclo de desenvolvimento e, por isso, a proliferação aumenta.

“A fêmea do Aedes aegypti consegue colocar os seus ovos e eles ficam latentes por até um ano em ambientes secos, então, quando este ambiente volta a receber a água, os mosquitos terminam o seu desenvolvimento e dá origem aos mosquitos adultos. Portanto, quando a gente tem um período de maior incidência de chuvas, a gente tem a probabilidade de nascimento de mais mosquitos e, por conta disso, uma tendência ao aumento do número de casos”, diz a pesquisadora.

Rafaela ainda alerta a população para os cuidados com o mosquito: “Eliminar os locais que armazenam água, eles podem variar desde pequenas tampas de garrafas até recipientes maiores. Fechar bem caixas d’água e guardar garrafas de vidro com a boca para baixo. Já em ambientes como piscinas, providenciar que elas sejam adequadamente tratadas seguindo a recomendação dos fabricantes dos produtos.”

Outros locais que podem ser criadouros do mosquito Aedes aegypti são:

  • Pneus;
  • Áreas de descarte de sacos de lixo;
  • Calhas;
  • Hortas e vasos em janelas e sacadas;
  • Móveis de jardim;
  • Tanques, pias e ralos;
  • Muros com cacos de vidro.

O médico infectologista e especialista em dengue Werciley Júnior diz que, por mais que os casos da doença tenham diminuído no último ano devido às medidas adotadas pela pandemia de Covid-19, os cuidados contra a dengue não devem parar.

“É importante relembrar que a dengue não parou a incidência, nós tivemos uma diminuição nos últimos anos por causa de alguns cuidados para a pandemia, mas agora que a gente volta a circular pelas ruas no dia a dia, a gente vai encontrando esses pequenos criadouros pelo caminho e a chuva apenas revela eles”, destaca.

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Sintomas

Existem quatro tipos de vírus de dengue - sorotipos 1, 2, 3 e 4. Alguns dos principais sintomas da doença são: febre alta, dores musculares intensas, dor ao movimentar os olhos, mal-estar, falta de apetite, dor de cabeça e manchas vermelhas no corpo.

A infecção por dengue pode não causar sintomas, ser leve ou grave. Nesse último caso, pode até levar à morte. O risco aumenta quando a pessoa tem alguma doença crônica, como diabetes e hipertensão.

Número de casos

Segundo o Ministério da Saúde, de 3 de janeiro a 9 de outubro de 2021, o Brasil registrou 479.745 casos de dengue, o que representa uma redução de 47,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Nesse mesmo intervalo de tempo foram confirmadas 199 mortes por dengue, redução de 64% em comparação com 2020.

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LOC.: Especialistas alertam que o período chuvoso contribui para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. A pesquisadora Rafaela Vieira Bruno, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Insetos do Instituto Oswaldo Cruz explica que é importante eliminar os locais que armazenam água, desde pequenas tampas de garrafas até recipientes maiores, fechar bem caixas d’água e guardar garrafas de vidro com a boca para baixo.

TEC./SONORA: Rafaela Vieira Bruno, pesquisadora e chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Insetos do Instituto Oswaldo Cruz

“A fêmea do Aedes aegypti consegue colocar os seus ovos e eles ficam latentes por até um ano em ambientes secos, então quando este ambiente volta a receber a água, os mosquitos terminam o seu desenvolvimento e dá origem aos mosquitos adultos. Portanto, quando a gente tem um período de maior incidência de chuvas, a gente tem a probabilidade de nascimento de mais mosquitos e por conta disso uma tendência ao aumento do número de casos.”

LOC.: Também é preciso prestar atenção em pneus, plantas e até piscinas. O médico infectologista e especialista em dengue Werciley Júnior diz que os cuidados contra a dengue não devem parar.

TEC./SONORA: Werciley Júnior, médico infectologista e especialista em dengue

“É importante relembrar que a dengue não parou a incidência, nós tivemos uma diminuição nos últimos anos por causa de alguns cuidados para a pandemia, mas agora que a gente volta a circular pelas ruas no dia a dia, a gente vai encontrando esses pequenos criadouros pelo caminho e a chuva apenas revelam eles.”

LOC.: Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou cerca de 479 mil casos de dengue desde janeiro até outubro deste ano, uma redução de 47,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Já o número de mortes confirmadas foi de 199, 64% a menos do que o mesmo intervalo de tempo em 2020.

Reportagem, Poliana Fontenele