
Voltar
LOC.: O ano mal começou e a agropecuária brasileira já tem uma grande preocupação. O governo chinês impôs barreiras de importação sobre a carne bovina para proteger os produtores locais. A medida vale por 3 anos para os produtos do mundo inteiro.
Cada país terá direito a exportar um volume específico de carne, as chamadas quotas. O Brasil foi o país que teve o maior limite: 1 milhão e 100 mil toneladas em 2026, com tarifa de 12%. A quantidade excedente terá uma taxa adicional de 55%. Ou seja, a tarifa final pode chegar a 67% do valor importado. No ano passado, a China foi destino de quase metade das vendas internacionais brasileiras de carne bovina, importando cerca de 1 milhão e 700 mil toneladas.
O deputado Alceu Moreira, do MDB gaúcho e coordenador institucional da Frente Parlamentar da Agropecuária, afirma que a entidade já articula uma reação rápida para evitar instabilidade no mercado e efeitos na renda dos produtores.
TEC./SONORA: Alceu Moreira, deputado federal (MDB-RS)
“Teremos que desembarcar na China nos primeiros dias de janeiro ou fevereiro para continuar a negociação e buscar o mais rápido possível a solução para este modelo produtivo que tem estoque no campo que não pode deixar depositado sem a possibilidade de vender.”
LOC.: Em nota conjunta, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, e a CNA, Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, avaliam que as medidas do governo chinês alteram as condições de acesso ao mercado do gigante asiático e impõem uma reorganização dos fluxos de produção e de exportação do produto.
Para a Associação Brasileira de Frigoríficos, a exportação de carne fora da quota fica economicamente inviabilizada com a tarifa adicional de 55%. O impacto previsto pela Abrafrigo é de perdas de até US$ 3 bilhões em receita para o Brasil em 2026.
O governo brasileiro já vinha acompanhando a investigação de Pequim, iniciada em 2024, que culminou na medida protecionista. O Ministério da Agricultura está em contato com autoridades chinesas para ter detalhes e o alcance da nova política de importação, como se produtos já embarcados contam para a quota. Uma alternativa que o ministério estuda é aproveitar a parte de outros países que não atinjam o limite de exportação.
TEC./SONORA: Carlos Fávaro, ministro da Agricultura
“Por exemplo, os Estados Unidos não exportou para China no ano passado. Se não exportar, se a gente pode cumprir a cota de outro país. São negociações que vão ocorrendo. Lembrando que não precisa ser imediato, a gente vai gradativamente durante o ano fazendo as negociações e fazendo os ajustes. A relação Brasil-China nunca esteve tão boa e assim vai continuar.”
LOC.: A China é o principal parceiro comercial do Brasil, destino de um terço das exportações nacionais. Essa relação amistosa, tanto comercial quanto diplomática, é vista como fundamental para superar o impasse atual.
Reportagem, Álvaro Couto.